O Reveillon

Mais um texto tardio por uma no que ainda é novo.

Na véspera do Reveillon, nossos amigos que moram em Milão perguntaram o que faríamos nesta data. Estávamos acabando de montar móveis e animados para passar as festas em casa mesmo. A dois, com os amigos que tinham avisado que talvez viessem, ou com quem mais desse notícias de última hora.

Os dois vieram e passaram alguns dias conosco. Além deles, nossos amigos-irmãos também estiveram aqui para comemorar conosco. Foi uma noite bem tranquila, queijos, vinhos, papo e musiquinha agradável, crianças na sala.

Lamentei não ter férias na primeira semana do ano e aproveitar mais os dias que eles passaram aqui. Tivemos os jantares. E a troca de vinhos, para abrir daqui a dez anos.

Eu, como a grande maioria das pessoas, fiz lá a minha retrospectiva de 2011. Eu não vou falar dela aqui. Imitei (descaradamente!) a ideia da amiga da minha amiga de fazer uma carta e mandar para pessoas da família. Mandei só para os muito próximos no Brasil, as pessoas que amo e que, por motivos geográficos ou por fuso horário, não conseguem acompanhar as coisas no tempo e no detalhe que gostaria.

Por aqui eu digo apenas que foi um ano que teve um fim bem melhor do que foi o começo. Superamos dificuldades, passamos por adaptações, nos decepcionamos com algumas coisas, fizemos novos amigos, fortalecemos os mais antigos. Resolvemos várias questões, nos apaixonamos pela Baviera. Vibramos com alguns casamentos, viajamos um pouco, sentimos saudades, matamos saudades, reencontramos familiares.

E que agora venha 2012!

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A Berlim que levamos conosco

Existe aquela Berlim que amamos e que visitamos, que estará sempre lá. E existe aquela Berlim que levamos sempre conosco, não importa o que a Geografia diga.

Ela tem casamentos que ficam na memória, seja com noiva vestida de branco ou noiva estilosa. Amigos felizes, que celebram o amor e o que há de mais gostoso em vivê-lo, tanto a dois quando entre os amigos. Tem momentos em festas, conhecer gente nova que só se conhecia de ouvir falar, mas que já parecia conhecer há muito tempo.

Tem um restaurante persa, regado a conversas e lembranças de tempos de trabalho. Café na estação, hora bem aproveitada antes do trem chegar. Café com bolo e amigo de namorada nova.

Tem sotaque mineiro, alemão, italiano, nordestino. Risos mil, muita música (ao vivo!) e alegria, conversa regada a Aperol Spritz. Tem papo-cabeça (ou nem tanto, falar bobagem também é bom), casa quentinha, aconchego de lar que nos deixa o coração cheio de gratidão.

A Berlim que levamos conosco também tem uma igreja, um aconchego de lugar cheio de gente que quase não me deixa ir embora. A “despedida” de lá demora uns quarenta minutos!

Tem vizinha falante, cheia de histórias dos tempos de muro, ou de pós-guerra, ou atuais. Casa de vó, docinhos na bolsa pra viagem.

E, claro, tem a lembrança da pracinha, do primeiro beijo, bem no dia dos dois anos de casamento alemão.

Berlim é uma de nossas relíquias, e por ela seremos sempre gratos, enquanto vivermos.

Família

Relacionamento tem fases. Uma é marcada pela paixão, outra pela conquista da confiança, outra pela construção de planos a dois, e tantas outras que cada casal sabe e vive.

Nós mudamos a ordem de algumas dessas fases. Pulamos a tal da construção da confiança, porque ela já tinha acontecido na nossa amizade de infância. Passamos por paixão avassaladora, que agora… bem, ela continua avassaladora, mas é meio diferente. Mais calma, acho.

Agora não tem mais aquela coisa que querer cada segundo a sós, porque já temos muitos segundos a sós. E nos alegramos muito com visitas, com amigos, com ambiente familiar.

Eu me lembro da cerimônia do minicasamento em Berlim. A mensagem era exatamente essa: não viver numa redoma, mas unir-se também aos nossos respectivos amigos e familiares.

Por isso nossas últimas visitas nesse nosso início de vida a dois foram tão importantes, pois trouxeram um pouco da nossa família para cá. Minha irmã, minhas sobrinhas, amigos… as outras sobrinhas que passaram a semana passada aqui. Sentimos uma tristeza quando elas se foram. Mas ao mesmo tempo aquela coisa boa de saber que, mesmo morando longe, há pessoas que nos fazem lembrar que distância é um conceito relativo. Há pessoas que vivem distantes, embora debaixo do mesmo teto. E tem essas pessoas, que, mesmo geograficamente distantes, se fazem presentes como irmãos.

É claro que sempre soubemos disso. Já não somos adolescentes deslumbrados com a vida, vendo as coisas de maneira romanceada e utópica. Mas vivenciar esse convívio familiar juntos, depois de termos passado anos vivendo nosso amor à distância, faz as coisas serem sentidas de uma forma diferente. Como se finalmente o “nosso” fizesse mais sentido, de forma real e prática. A nossa casa, o nosso tempo, os nossos planos, os nossos passeios…

Enfim… deu pra entender?

Dane Babysitter

Eu passei a vida relativamente bem cercada de crianças, geralmente primos. Mas sempre estavam em outras cidades, de modo que eu nunca tive convívio direto com elas. Estou vivendo isso pela primeira vez aqui em Munique, convivendo com a filha da minha melhor amiga, de dois anos.

Eu e Rafa já tínhamos bancado o casal-babysitter uma vez para nossos amigos saírem. Foi fácil, a pequena já tinha ido para a cama e nós só precisamos devolver a ela a chupeta que caía de vez em quando para que ela parasse de chorar.

Da última vez a coisa foi diferente. Seria eu a pessoa que a colocaria para dormir. Sem treinamento prévio. Eu cumpriria todo o ritual de trocar fralda, dar mamadeira, colocar o pijama, ligar a musiquinha, colocar no berço. A experiência eu não tinha (nunca tinha trocado uma fralda na vida), mas cansei de ver a minha amiga fazer isso e não via mistério algum. Minha amiga, por sua vez, confiou na minha pessoa, e no fato de eu ser paciente, atenciosa e cheia de boa vontade e amor para dar. O que, na verdade, deve ser o mais importante.

A noite começou agitada. Ela passou uns vinte minutos chorando e chamando pela mamãe depois que mamãe saiu com o papai. Em algum momento consegui distraí-la com brincadeiras, o irmão chegou também, e tudo ficou em paz. Até a hora de colocá-la para dormir.

Economizando os detalhes: consegui colocar nela uma nova fralda folgada e o pijama. Não consegui dar a mamadeira (essa quase foi arremessada longe). Não consegui mantê-la no berço. Aliás, nem no quarto ela queria ficar. Chorou por cerca de trinta minutos chamando pela mamãe, andou pela casa, calçou a bota de chuva e tentou abrir a porta para sair para a rua atrás dos pais. A calma só veio quando eu desisti do ritual padrão, peguei-a no colo e cantei para ela. Na sala, claro. No quarto dela não funcionava. Em algum momento ela dormiu nos meus braços e depois foi para o berço.

Essa foi a minha primeira vez como Babysitter.

Mas, mudando de assunto, mas nem tanto…

Eu sempre digo que um dos motivos de eu gostar tanto de estar aqui na Alemanha é o fato de não haver a tal da pressão social que eu sempre senti no Brasil. Aquela coisa de solteira tem que ter namorado, namorando tem que casar, casando tem que ter filho, tendo filho tem que ter um irmãozinho para o filho. E, passando da idade “padrão” para cumprir esse protocolo, tem que ter  muita personalidade para se manter firme nas próprias decisões.

Eu fiz tudo depois da idade padrão. Tudo. O primeiro namorado foi depois da média, a “primeira vez” foi depois da média, o casamento veio depois da média. Veio tudo no meu tempo, quando eu quis e me senti preparada para tal. Ok, algumas coisas poderiam até ter acontecido antes ou foram um pouco – mas só um pouco – adiadas por motivo de força maior, mas isso é outra história. A única coisa que não seguiu tanto o cronograma padrão para a contecer foi o desenvolvimento profissional.

Diz o Rafa que, no Brasil, já rolam comentários de amigos e familiares dizendo que teremos filhos logo. Já há uma expectativa, sei lá porque, visto que todos sabem que namoramos à distância o tempo todo. Deve ser porque vou fazer 33. Mas não, não teremos filhos agora. Se acontecer, saibam que foi acidente.

Aqui na Alemanha esse tipo de comentário é muito raro. Mas agora, apesar de eu não sentir pressão no sentido de engravidar por aqui, existe uma pequena e sutil “pressão implícita”. Ela vem mais da minha cabeça, na verdade. Estou cercada de amigas com filhos. É, gente… na Baviera é diferente. Enquanto Berlim é quase uma cidade para solteiros e praticamente todos os meus amigos ainda estão sem filhos, Munique é uma cidade para famílias. São poucos, na nossa faixa etária, que ainda não tiveram seus rebentos.

Eis que me vejo então, vez por outra, fazendo programas de criança, e com poucas opções de companhia para fazer outras coisas. Nada contra, eu realmente gosto, amo a minha pequena sobrinha potiça e me derreto quando ela corre pra mim sorridente me chamando de Dane.

Mas eu não tenho filhos. As rotinas são diferentes, meu pique ainda é para fazer outras coisas que quero fazer antes que os meus venham. Não falo necessariamente de programas noturnos, mas também coisas como trilhas e caminhadas pelas redondezas. Daí ocorrem aqueles pensamentos sobre procurar amigos sem filhos ou trazer logo o primeiro ao mundo. Entendem o que eu falo de “pressão implícita”?

Ainda estamos firmes na primeira opção. Vale o mantra: “não teremos filhos agora, não teremos filhos agora, não teremos filhos agora.” Sem essa de relógio biológico. O resto eu estou canalizando para o trabalho. Um certo perigo, tenho essa tendência para ser Workaholic, o que não é necessariamente saudável.

Mas, quando o Rafa chegar aqui, arranjaremos outras coisas para fazer. O que inclui bancarmos o casal-babysitter para nossa sobrinha postiça de vez em quando.

 

O Solstício

 

Ela se alegrava com cada hora ganha ao longo da Primavera. Por toda a estação, via os dias cada vez mais longos, o sol brilhando por cada vez mais tempo. As noites consequentemente curtas, o sol já de volta às cinco da manhã.

No dia do Solstício de Verão, eram cerca de dez horas da noite e tudo ainda estava um pouco claro, um quê de fim de tarde. Ganha-se horas, humor (o bom, claro), claridade, temperaturas amenas. Reclamou um pouco por ter chovido, pela semana atipicamente fria para os padrões da estação. Mas tudo bem. É verão! Isso é o que importa.

O que ela não se dá conta é que, a partir de agora, o caminho é inverso. A cada dia que passa, mais curto é o tempo de claridade. Com a chegada do Verão, caminha-se lentamente para o Inverno.

Ela sabe disso. Percebe que aproveitou a Primavera menos do que gostaria, que poderia ter aproveitado seu tempo livre de outra forma, ainda que ele tenha sido relativamente escasso. Os passeios de bicicleta planejados, as idas para belos lugares nas redondezas, as caminhadas na montanha.

Fechou-se um pouco, não viu ao redor, fez menos amigos novos do que gostaria. Reconheceu isso em algum momento, procurou reação, mas aconteceu tanta coisa! alguns fantasmas do passado que insistem em ser presentes, a expectativa adiada do amado que ainda não chegou para ficar.

Curiosamente, viver em terras onde se tem quatro estações traz a percepção de todas as fases dos ciclos de vida, e de sua conexão com esse ciclo maior: o da natureza.

Hoje ela se sentiu frustrada. Quis fazer e viver coisas que não fez. Vendo a metade cheia do copo, ainda há tempo. O verão está apenas começando. Vendo a metade vazia do copo, é importante perceber essa verdade imutável: o tempo passa muito rápido e, de repente, tudo pode ter que ser adiado para a primavera que vem. No ano que vem.

 

Dicionário: Jein, zu Hause e Heim

Jein = palavra de uso coloquial formada pela junção de Ja (sim) com o Nein (não). O clássico “sim, mas…” E pronuncia-se Iáin.

Você responde um jein quando, por qualquer motivo, sua resposta não pode ser exatamente um sim nem não. Acontece quando me perguntam se meu marido mora aqui. A resposta é frequentemente jein. Mas não demora a ser seguida pelo sim.

Explico isso com nosso segundo termo do dicionário de hoje: zu Hause.

Ao pé da letra, significa em casa. Entretando, tem um significado muito mais profundo. Aquele que nós com pouca frequencia usamos no Português: lar.

Zu Hause é onde seu coração está. Geralmente é o seu endereço oficial, a casa que você alugou ou comprou, e onde você recebe sua correspondência. Mas isso não basta. Você precisa se sentir zu Hause para estar zu Hause. Não é à toa que, vez por outra, um ou outro alemão que ainda me conhece pouco, pergunta comq ue frequência eu vou para nach Hause (para casa), referindo-se aos planos de viagem para o Brasil. Como se o Brasil fosse minha casa, apesar de eu morar aqui.

Meu marido ainda tem um pé lá e outro cá, por motivos de força maior. Eu moro aqui, e ambos estamos zu Hause quando estamos aqui. Para o pessoal aqui da Baviera, isso é extremamente difícil de entender. Bávaros são extremamente ligados ao zu Hause, ou Heim, como eles dizem por aqui. E Heim para eles não é apenas a Alemanha, é a Baviera!

Minha mãe costumava dizer, quando eu ainda era criança, que lugar bom de viver é onde você se sente bem. Não precisa ser necessariamente o lugar onde você nasceu. Especialmente hoje em dia, com a famigerada Globalização. E, neste momento de nossas vidas, zu Hause ou Heim estão aqui em Munique. Mesmo que um de nós ainda passe a maior parte do seu tempo fisicamente em outro lugar.

Em breve: dicas sensacionais de Salzburg!

Dicionário: Lampenfieber

Lampen = luz. Fieber = febre.

Eu não sei porque a junção das duas palavras – Lampenfieber – tem esse sentido de medo de público. Como alguém que está prestes a entrar em um palco para se apresentar diante de uma plateia e, enquanto aguarda nas coxias, vive esse sentimento de expectativa antes da cortina se abrir.

Lampenfieber, dizem, pode ter efeitos positivos ou negativos. Podem impulsionar alguém a usar a adrenalina de determinado momento a seu favor, ou fazer com que a pessoa fique paralizada enquando a sensação se desenvolve dentro dela, transformando-se em medo.

Lampenfieber pode ter até efeitos psicológicos sérios, como crises de pânico.

Entretando, à parte das definições mais concretas, ouvi a expressão de uma amiga em sentido mais, digamos, metafórico e amplo. Você sente Lampenfieber quando alguma coisa importante vai acontecer. Quando você está esperando algo de bom há muito tempo, e a hora disso acontecer se aproxima. Noivas sentem Lampenfieber na véspera do casamento. Um misto de alegria, euforia, e – porque não? – até um certo pânico. Alguém que aguarda a resposta a respeito de uma vaga de emprego também.

A expectativa antes de uma viagem planejada também pode causar Lampenfieber. E as grávidas? Passam nove meses nas coxias do teatro, não é?

Concluí que Lampenfieber é o sentimento que temos diante de situações de mudança iminente, seja ela grande ou pequena, e que exige de você uma decisão para determinar o que exatamente essa mudança vai ser e para onde ela vai levar você. É o momento logo anterior ao nome que você vai escolher para o que está prestes a viver: será risco ou oportunidade? Se o que você vê é uma oportunidade, Lampenfieber será o motor que vai impulsionar você para frente. Se você vê um risco, Lampenfieber vai se transformar em medo. Que, por sua vez, é um sentimento normal (ouvi isso de uma médica quando tive uma crise certa vez), parte do mecanismo de autodefesa humano diante de situações que ele considera ameaçadoras. A arte está em saber administrá-lo.

Diante de uma oportunidade, vá atrás dela. Diante de um risco, calcule, contorne, reaja, siga o “Plano B” (sempre procure ter um em mente!). O medo é normal, mas caso não consiga reagir porque ele o paralisou, procure ajuda.

Reações a situações adversas não devem ser adiadas, por nenhum motivo. Se você adia, o seu corpo vai cobrar de você em algum momento. Literalmente.

Em outras palavras, se você sente Lampenfieber, é porque a situação representa alguma necessidade, vontade ou até certeza de mudança. De encarar um desafio novo, ou sair de uma zona de insatisfação qualquer. Eventualmente a sensação pode ser mais forte se você estiver sob pressão, o famigerado stress. Diante disso, torna-se fundamental aprender a diferenciar perseverança de teimosia. É preciso saber reconhecer o momento de sair de cena. “Dar murro em ponta de faca” pode sangrar.

E para tudo isso não há fórmulas. Apenas a constante e crescente capacidade de instrospecção. Eu olho para mim, eu me conheço e reconheço, eu releio minhas próprias histórias em terceira pessoa e tenho um novo ângulo. Sento-me em uma cadeira na plateia e me vejo no palco. Mas antes eu vou às coxias, e depois ao camarim, e procuro ver além.

Porque, no fundo, a base do que acontece no palco da vida está mesmo nos bastidores.

Casamento real

Porque tudo de mais importante representativo deste dia está neste vídeo. Na palavra do bispo, na voz do coro enchendo a igreja de música, nos olhares, nos sinos, no texto tão profundo do Apóstolo Paulo na carta aos Romanos, lido pelo irmão da noiva.

Isso é tudo que eu tenho a dizer sobre o casamento real.

Texto da carta de Paulo aos Romanos, capítulo 12:

Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.

Porque pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um.

Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação,

Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros.

De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé;

Se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino;

Ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria.

O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem.

Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.

Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor;

Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração;

Comunicai com os santos nas suas necessidades, segui a hospitalidade;

Abençoai aos que vos perseguem, abençoai, e não amaldiçoeis.

Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram;

Sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios em vós mesmos;

A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas, perante todos os homens.

Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens.

Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor.

Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça.

Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.

Tempo subjetivo

Um dos muitos conceitos trabalhados na conferência da qual estou participando aqui foi o conceito de “tempo subjetivo”.

O tempo subjetivo relativiza a contagem do tempo. E tempo é uma das coisas que interferem na usabilidade de um produto. Um site que demora muito a aparecer aí na sua tela vai ser abandonado antes mesmo de carregar. Por você e pela grande maioria das pessoas. Ou seja: um problema de usabilidade, pois interfere na forma de você usar o site. E, frequentemente, o tempo relativo sentido por você será maior do que os eventuais “meros” quinze segundos que você de fato esperou até o site carregar.

Por exemplo: se você está no salão de beleza esperando a hora de ser atendida olhando pela janela, o tempo será sentido de uma forma. Se, ao invés de ficar olhando pela janela, você pegar uma revista para ler e se informar a respeito dos últimos visitantes da Ilha de Caras, ou sobre os vestidos das estrelas no Festival de Cannes, o tempo será diferente. Cronologicamente, você vai esperar os mesmos exatos e matemáticos minutos, mas o tempo subjetivo será outro.

Mas Jane, por que cargas d’água você está falando tudo isso?

Simples. O tempo subjetivo de nove meses que passei longe do meu amado entre o noivado e o minicasamento em Berlim foi muito menor do que o tempo subjetivo de dois meses e meio desde a última vez que nos vimos. Não posso reduzir o tempo cronológico, mas.. será que posso reduzir o tempo subjetivo?

Tenho me esforçado.

Esses dias em Londres já estão ajudando bastante nisso. Mas já estou a pensar nos dias em Munique. Ok, tem muito trabalho me esperando lá. Também estou colecionando ideias aqui para colocar em prática lá. Mas, experiência própria, usar somente e apenas exclusivamente o trabalho para reduzir o tempo subjetivo pode trazer danos à saúde.

Daí eu estar pensando na vida que tenho quando não trabalho. Encontrar amigos, fazer novos amigos, voltar a praticar esportes, viajar, viver agora e não esperar para viver depois.

Dicas e sugestões são obviamente bem-vindas! Então me contem: o que vocês fazem para reduzir o tempo subjetivo de vocês quando estão ansiosos à espera de alguma coisa muito importante?