Manual da integração #2: Aprenda alemão, mas mantenha o sotaque

Que saber a língua local é essencial para um bom processo de integração, todo mundo sabe. Sem falar o idioma, não há como, é impossível, inviável aprender e, consequentemente, se adaptar à qualquer cultura.

Daí que falar alemão é bonito (sim, eu gosto, adoro, acho lindo) mas não é fácil. Exige dedicação. Eu vi filme sem entender patavinas, li livros em voz alta para poder me ouvir e treinar a fluência e não dava a mínima se meu alemão era perfeito ou não. Falava e ponto. E o povo corrigia, o que é bom e ajuda muito.

Portanto, com dedicação, tudo é possível. Uma hora você fala. E se não tiver o famigerado “bloqueio” psicológico para falar que a maioria tem, melhor ainda. Se tiver, procure vencê-lo. Ele existe, atrapalha, mas não é nada que não possa ser contornado com um pouco de perseverança para abrir a boca. Não dói nada. Garanto.

E não tenha medo dos alemães que vão ouvir o seu sotaque e seus errinhos de declinação. Na maioria das vezes (ao menos nas grandes cidades) eles vão elogiar você, incentivar, eventualmente corrigir, o que é ótimo na fase de aprendizado. Eu nunca, jamais, tive experiências negativas com eles no meu processo de aprendizado. Pelo contrário. Eles não mordem. Garanto. Portanto, não tenha medo.

Mas mantenha algum sotaque, ok? Sem neuras de falar alemão como se fosse alemão. Eu já tive essa neura, perfeccionista que sou. Grande bobagem! Ok, pronúncia é importante para se fazer compreendido, e sotaque excessivo dificulta a comunicação. Mas sotaque é coisa normal, parte da identidade de cada um. Temos diferentes sotaques no Brasil, alemães tem diferentes sotaques dentro da Alemanha e, portanto, brasileiro falando alemão com sotaque é normal. Mais do que isso: é bonito. Eles gostam! Cansei de ouvir alemão dizer que acha o sotaque brasileiro bonito! Se for lendo as poesias de Goethe então…

Para concluir, este manualzinho da integração não tem a pretensão de ser um guia de regrinhas absolutas. Foi o que funcionou e funciona comigo, na minha experiência pessoal. Resolvi publicar porque… ah, vai que ajuda mais alguém, não é?

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Manual da integração #1: a experiência gastronômica

Pesquise sobre as especialidades locais. Evite a internet, pergunte aos amigos, colegas de trabalho, pessoas locais.

Depois dê o seu toque pessoal à receita. Integrar-se não significa esquecer quem você é e virar alemão. É adaptar-se à cultura local e trazer o que tem de bom na sua como contribuição. Simbolicamente falando, pegue a receita local e acrescente algo seu como contribuição.

Eu descobri que um dos pratos mais tradicionais da Baviera é o Spätzle. Provei desta delícia pela primeira vez na casa de um amigo local, que preparou a versão mais tradicional: com queijo.

Um bom bávaro diz, obviamente, que é uma especialidade bávara. Mas dizem outros não-bávaros que trata-se de uma especialidade schwäbisch, ou seja, original de Schwaben, região situada entre os estados de Baden-Würtemberg e Baviera. Para mim é especialidade do sul da Alemanha. Ponto.

Spätzle é uma massa cozida típica, e pode ser servida como prato principal ou como acompanhamento de carnes, por exemplo. É uma das muitas especialidades de tempos de escassez, onde era preciso ser criativo com poucos e simples ingredientes, como farinha e ovos, por exemplo.

Perguntei a um colega do trabalho pela receita. Receita de um “local”, por assim dizer. Muito feliz pelo meu interesse, o rapaz providenciou a descrição da receita básica e de três variações do Spätzle.

No dia seguinte ele recebeu uma foto da variação mais tradicional, preparada na noite anterior, com um “toque a mais”.

Modo de preparo:

Encher uma panela com 3/4 de água, acrescentar sal e um pouco de óleo e deixar ferver. Enxaguar o Spätzlehobel com água fria, preencher o recipience móvel com massa – não sobre a panela, senão a massa “gruda” – e, com leve pressão, mover o recipiente pra lá e pra cá sobre a panela, até a massa ter passado toda. O Spätzle está cozido quando boiar na panela. Retirar com a escumadeira e deixar escorrer. Dica para a limpeza do Spätzlehobel: limpar os restos de massa com uma escova e água fria, e depois lavar normalmente. Não lavar na máquina.

Mas Jane, o que é um Spätzlehobel?

Resposta:

O tal recipiente é a parte branca, que corre para lá e para cá. É possível usar um espremedor de babatas para fazer passar a massa, se ela tiver uma base alternativa com furos grandes. A massa tem que passar pelos furinhos e cair na panela em forma de “gotinhas”.

Agora os ingredientes.

Receita básica (para 4 pessoas):

  • 500g de farinha de trigo
  • uma pitada de sal
  • 4 ou 5 ovos
  • 1/8 a 1/4 de água

Misturar todos os ingredientes até formar uma massa macia. (Este video aqui mostra a consistência da massa direitinho, lá pelos 2 minutos). A massa não pode ficar firme! É “molenga” mesmo. E o vídeo mostra tanto o modo de fazer com o Spätzlehobel, quanto com o espremedor de batatas.

Kässpätzle (Spätzle de queijo)

Esta é a variação mais tradicional. Prepare a receita básica. Em uma forma intercale camadas de massa com camadas de queijo emental. Cubra tudo com uma camada de cebola tostada. Leve ao forno a 60 graus por cerca de dez minutos, só para derreter o queijo.

A minha contribuição foi acrescentar bacon torradinho junto com a cebola. O resultado está na foto acima.

Spätzle integral

Receita básica, substituindo a farinha de trigo por farinha integral. Eventualmente pode-se misturar a farinha integral com farinha de trigo na proporção de 2/1, caso a massa fique muito firme. Fica ainda melhor se, depois de pronto, fritar com um ovo em uma frigideira. Servir com salada.

Spinatspätzle (Spätzle de espinafre)

  • 400g de farinha de trigo
  • 2 a 3 ovos
  • 1/4 litro de água
  • 250g de espinafre fresco picado e cozido.

Temperar tudo com sal e noz moscada e misturar até formar uma massa com a consistência descrita acima. Servir com molho de carne moída.

E por fim, Späzle é uma especialidade que dá margem para muita criatividade. A receita básica pode ser servida como acompanhamento do clássico Schweinebraten* ou outros tipos de carne, por exemplo. Também é possível fazer a variação de espinafre usando outras verduras ou ervas.

Eu ainda estou pensando como integrar algum elemento da culinária brasileira no Spätzle… De preferência diretamente na massa.

Nova lei alemã facilita validação de diploma estrangeiro

Uma boa notícia para quem mora na Alemanha ou pretende morar aqui. Foi aprovada uma nova lei de validação de diplomas estrangeiros.

A reportagem completa a respeito do tema você lê clicando aqui.

Outro link útil para consulta é o site da Anabin. Nele você pode checar o reconhecimento da universidade onde você estudou segundo três critérios básicos: H-, H e H+, sendo H+ o melhor critério.

O assunto será abordado novamente neste blog.

Update:

A Eve escreveu nos comentários mais este link para informações sobre reconhecimento de diplomas de forma mais precisa:

http://www.kmk.org/zab/zeugnisbewertungen.html

O mundo compactado em uma sala

Hoje Jane observou um fato curioso: eu me refiro aos colegas do curso de alemão mencionando suas nacionalidades, e não seus nomes!

E não tenho dúvidas que assim o faço devido à grande novidade que é para mim ter uma convivência diária (ainda que sem nenhuma intimidade e por tempo limitado) com pessoas de tantos países diferentes. Só para se ter uma ideia, citando apenas os que me lembro agora, o curso é frequentado por um australiano, um malaio, um espanhol, um guatemalteco, uma sul-coreana, duas ou três japonesas, uma neo-zelandesa, duas americanas, um canadense, um sírio, uma palestina, um sérvio, um tunisiano, duas gregas, uma turca, um búlgaro, um polonês, uma sul-africana, uma saudita, uma húngara, uma italiana e um outro brasileiro além de mim. E isso tudo só nos poucos metros quadrados ocupados pela turma em que estou. Porque jogando futebol eu já conheci também um suíço, um iraniano, um panamenho, um indiano, um russo e mais alguns que nem mesmo sei de onde vieram.

Ter contato com pessoas de tantos países atiça minha curiosidade sobre o que cada um tem a dizer sobre o seu país, sua cultura, e também sobre suas impressões da Alemanha. Há de ser considerado também o fato de que sempre fui afixionado por geografia, em especial por denominações de nacionalidade, bandeiras, localização, capitais, história e características geográficas e culturais mais marcantes de todos os países do mundo, a ponto de decorar essas informações a respeito de dezenas e mais dezenas deles. Juntem uma coisa com a outro e pronto: me sinto como num parque de diversões!

A empolgação só não é maior porque o nível de conversação ainda é baixo, o que inviabiliza conversas aprofundadas como, por exemplo, a respeito de política mundial, diferenças culturais ou vida profissional. Mas mesmo assim há uma tendência comum de tentar se comunicar com mais profundidade, e na língua que estamos ali para aprender, ou seja, o alemão. Ainda que seja possível se entender em outra língua. Exemplo disso é que eu, o espanhol e o guatemalteco podemos nos entender razoavelmente bem falando espanhol e português, mas ainda assim nós só travamos conversas em alemão (ok, quando surge alguma dúvida a gente recorre às nossas “Muttersprachen”, mas só para esclarecer uma palavra ou outra). O canadense é outro que, por ser filho de um português e saber falar a nossa língua, poderia se comunicar comigo nela, mas ambos nos inclinamos de forma espontânea a conversar sempre em alemão.

Estão vendo? Aqui estou novamente me referindo aos colegas de curso não por seus nomes, e sim pelas suas nacionalidades! Parece até que vejo a bandeira do país de cada um deles colada em suas respectivas testas. Que assim seja! E tomara que eu tenha a oportunidade de conhecer outros países diferentes… quer dizer… outras pessoas de países diferentes!

Um sinal

Antes de contar sobre os caminhos da Baviera que percorremos nessas férias em Balkonia, tenho um fato curioso para contar.

A árvore que inspira o nome deste blog, infelizmente, não resistiu à mudança para Munique. Era uma noite fria de inverno, com temperaturas abissais, e árvores desta espécie costumam ser sensíveis demais a mudanças bruscas. Ela até chegou bem em casa, mas com o passar das semanas, as folhas amarelaram, caíram e a árvore secou. Para nossa tristeza. Tinha ela um enorme significado para nós (cliquem aqui para saber mais a respeito dela, e também aqui).

Nós mantivemos a árvore – ou o que restou dela – no vaso mesmo assim. Não sabíamos o que fazer dela. Se jogaríamos fora e compraríamos outra, ou se deixaríamos ali, sequinha mesmo, já que o simbolismo dela é tão importante para nós. Passaram-se meses, a terra secou totalmente e podamos o excesso de galhos secos. Deixamos para decidir o que fazer com ela quando Rafa chegasse para ficar, definitivamente e sem mais despedidas.

Ela ficou assim:

Pois o Rafa finalmente chegou e agora não volta mais ao Brasil, a não ser para visitar. Ou se, porventura, algum dia decidirmos voltar juntos.

Um dia antes dele chegar, dei aquela arrumada especial na casa. Fazia uns dois dias que eu não verificava as plantas. Limpava eu a sala quando algo diferente me chamou a atenção, no canto da sala, dentro do vaso da nossa árvore:

Pois é. Uma ávore nova começou a crescer nesta terra seca, junto da árvore anterior, dada como perdida, na véspera da chegada definitiva do Rafa.

Se isso não for um sinal, eu não sei mais o que pode ser.

Em tempo: esta foto foi tirada há duas semanas. Ela já está cerca de dez centímetros maior do que isso.

Fotos: arquivo pessoal

Dicas preciosas: Chaveiro e Bicicleta

Dica um

Tome muito, mas muito cuidado com as suas chaves se você mora na Alemanha. Qualquer servicinho de chaveiro custa os olhos da cara. Custa as orelhas e o nariz também.

Bater a porta com a chave dentro em Berlim, em dia de samana e horário comercial (ou seja, de 9 às 18 horas): 80 Euros. Se for fora do horário comercial, o preço sobe 50%. Se for no domingo, o preço sobe 100%. Acrescente o precinho do deslocamento, que pode ser calculado em quilômetros ou em tempo de serviço. Se for no interior, o deslocamento é maior. Se for em Munique, domingo à noite, pode passar de 200 euros. Isso tudo só para abrir a porta. Se estiver trancada, custa mais. Sério.

Perdeu as chaves? Se for uma chave de segurança é pior. E se for daquelas chaves que abrem a porta do seu apartamento e também a porta de entrada do prédio, teoricamente, todos os moradores precisam de novas chaves. A boa notícia aqui é que, se você tiver seguro, ele cobre. Mas o seguro não cobre o custo do chaveiro para abrir a sua porta caso você a tenha batido com a chave dentro.

Portanto, jamais, nunca, saia de casa sem levar a sua chave. Outra dica boa é manter uma cópia na casa de alguém de confiança (coisa que ainda não fiz) ou em local seguro. E sempre avise suas visitas explicitamente sobre o assunto também.

E, por fim, mantenha o número de um chaveiro de confiança gravado no celular. Nunca se sabe.

Dica dois

Bicicleta é o melhor meio de transporte que existe por aqui. Se você tem uma bicicleta, e se você for uma mocinha que não tem um homem na sua vida para fazer o serviço de homem ou simplesmente prefere ter independência no assunto, invista em um kit básico de ferramentas e aprenda a fazer a manutenção.

Pense na simples tarefa de trocar um pneu: a câmara de ar custa cerca de 3 Euros. Alternatica é o Kit de reparo, que pode custar 2 Euros e garante cerca de dez reparos na sua câmara de ar. Caso você ainda não possua o kit de ferramentas – que será um investimento único, vale ressaltar – invista cerca de 15 Euros neste item. Talvez um pouco mais se você investir na bomba de encher o pneu, ao invés de ir ao posto de gasolina. Este investimento varia de acordo com a qualidade e o tipo da bomba que você adquirir, custa a partir de 5 Euros, podendo chegar a… não sei… 100 Euros talvez, ou mais no caso dos compressores.

Pois cada pneu que você mandar trocar na loja pode custar 20 Euros. E, agora que temos um kit de ferramentas, e ainda temos Kit de reparo suficiente para uns 15 reparos, o custo de uma troca de pneu é zero. Ou 3 Euros se comprarmos uma câmara nova. Fez a conta? Foi por isso que eu aprendi a trocar pneu de bicicleta e trocar farol, e pretendo aprender mais.

Dica três

Caso você more aqui, não conheça ou só conheça “de vista”, vale a pena fazer uma continha no Call a Bike. Talvez alguns conheçam o sistema Velib de Paris, e outros iguais em Londres e Viena, mas o Call a Bike é diferente. Há diferentes planos, todos bastante vantajosos, e você destrava a bicicleta por telefone. Não é preciso prendê-la em estações pré-determinadas. As bicicletas são localizadas por GPS, portanto você pode encontrá-las em qualquer lugar e deixá-las em qualquer lugar.

Caso você tenha um celular-faz-tudo-com-os-dedos-na-telinha, é possível rastrar a área e encontrar a bicicleta mais próxima.

Etiqueta alemã

  1. Um cavalheiro alemão entra em um restaurante na frente da dama, com o intuito de verificar o ambiente antes de convidáa-la para entrar. Segurando a porta, obviamente.
  2. Um cavalheiro alemão veste primeiro o casaco enquanto a dama espera confortavelmente sentada, para depois ajudá-la a vestir o seu casaco.
  3. Em uma mesa com copos servidos, só se toma o primeiro gole depois do anfitrião.
  4. “Fungar” e engolir o produto do seu resfriado é proibido. Usa-se lenço de papel. E, diferente da forma como muitos alemães o fazem, o assoar o nariz deve ser feito com discrição.
  5. Nunca, jamais telefone para qualquer pessoa sem se identificar logo ao atenderem do outro lado da linha. Isso vale tanto para a sua melhor amiga alemã, quanto para o atendente da central de informações da empresa de transportes. Ao ligar para um número que exija formalidade – como a empresa de transportes, por exemplo -, diga seu sobrenome. Entre amigos, diga o primeiro nome.
  6. A regra acima também se aplica ao atender o telefone na sua casa. Ao invés de dizer “alô”, é de bom tom dizer o seu sobrenome. Neste caso, porém, há uma certa tolerância caso você não o faça e recorra ao tradicional “alô”, já que você está em sua casa e parte-se do princípio de que o telefonante sabe para quem ligou.
  7. Pontualidade é fundamental, mas há uma regrinha de tolerância: quinze minutos de espera são perdoáveis, desde que haja um certo nível de intimidade entre as partes. O atraso deve também ser previamente comunicado via celular, de preferência.
  8. Não corte a batata cozida com a faca. Corte com o garfo. A explicação está no fato de que o molho é melhor absorvido por uma superfície porosa e irregular gerada pelo ato de “quebrar” a batata do que por uma superfície lisa, característica do corte à faca. Quem corta batata com a faca “não sabe das coisas”.
  9. Dois beijinhos são permitidos ao cumprimentar um conhecido, desde que haja um mínimo de intimidade entre as partes. Dois beijinhos para com pessoas mais idosas não costumam ser bem vistos. Jamais cumprimente um alemão desta forma no primeiro contato, mesmo que seja jovem. Para estes casos, aperto de mão.
  10. Entre um cavalheiro e uma dama, a iniciativa do cumprimento cabe à dama. Entre mais idosos e mais jovens, a iniciativa cabe aos mais velhos. Antecipar-se não é de bom tom.

Regras universais também válidas aqui

  • Ceder o assento aos idosos e às gestantes.
  • O trio: Por favor, obrigado, e com licença.
  • Não fale em Português perto de nativos que não entendem a sua língua.
  • Nem pense em expelir secreções resultantes dos efeitos de um resfriado por via oral em local público (vulgo: escarro).
  • Não corrija ninguém em público.

Aprendi boa parte dessas no curso de alemão, e acrescentei outras mais antigas.

Os leitores que conhecerem mais coisinhas de etiqueta alemã, deixem sua contribuição nos comentários. Danke.

Trabalho na Alemanha

Eu me inspirei neste post da Eve e resolvi escrever sobre o mesmo tema.

Trabalhei em duas. A primeira eu não considero uma empresa tipicamente alemã, e sim uma verdadeira Torre de Babel. Meus colegas eram ingleses, um irlandes, um croata, um brasileiro, uma mocinha do Quirjistão, russos, franceses, uma turca, um italiano, uma finlandesa (ou seria norueguesa, não lembro mais), duas chinesas e alguns alemães. Levem em conta que a empresa não era grande, mas tinha cerca de quarenta funcionários. Além disso, o casal de donos da empresa era formado por uma francesa e um alemão que eu nem considero tão alemão assim. Digamos que ele seja um “cidadão do mundo”.

Agora eu não estou em uma empresa alemã. Estou em uma empresa bávara. Creio que oitenta porcento do pessoal seja bávaro. Um dia eu conto sobre a diferença sobre ser bávaro e ser alemão.

Trabalhar em empresa alemã é um assunto amplo. Depende da região onde a empresa está, do tamanho da empresa e do ramo onde ela atua. Também depende da sua postura diante dos colegas, da forma como você se posiciona. Isso vai influenciar o comportamento deles com relação a você.

Empresas internacionais tendem a seguir uma prática profissional mais globalizada (ou americanizada, para ser mais precisa). Empresas menores costumam ter uma hierarquia mais horizontal, com chefes mais acessíveis. Formalidades são sempre mantidas externamente, mas não internamente. E o relacionamento com os colegas é construido com o tempo e depende muito de você também.

Mas creio que a principal diferença que percebo aqui é na postura no trabalho, o que combina com o texto da Eve, citado acima. Cada um tem noção das suas tarefas e responsabilidades, e os colegas confiam nisso. Isso significa que raramente você terá seu chefe controlando a hora que você chega e a hora que você sai. Cartão de ponto não existe. Mas ele espera sempre que você mostre resultados.

O resto são regras básicas que considero universais, que nem todo mundo no Brasil segue, mas que todo mundo conhece (ou deveria conhecer): sinceridade, honestidade, transparência, educação. Senso de iniciativa e foco sempre são valorizados, submissão cega não é bom. E, claro, falar alemão ou visivelmente se esforçar para aprender e mostrar desenvolvimento. Neste ponto eles até ajudam no processo.

E para quem é desenvolvedor, vale mencionar que a região sul da Alemanha está com muita vaga! Desenvolvedores estão literalmente sendo caçados, especialmente na área de desenvolvimento de software.

No mais, vale a pena conferir o post da Eve sobre o assunto, e as impressões dela.