Alpes III: Höllentalklamm

Dicionário:

Hölle: Inferno
Tal: Vale
Klamm: talvez seja uma fenda em uma rocha, mas, segundo a definição do Wikipedia alemão, Klamm também é preenchido pela água de um rio, geralmente em forma de cachoeira.

Porque cargas d’água esse lugar maravilhoso chamado Höllentalklamm assim se chama eu não tenho ideia. Fato é que a trilha do Höllental (com o Höllentalklamm no caminho) é uma das coisas mais lindas que já vimos, um dos caminhos mais bonitos que percorremos.

Esta trilha se tornou uma das nossas favoritas até agora, apesar de não termos alcançado nenhum cume a partir dela. Fato possível para escaladores ou pessoas mais em forma e com mais tempo, tanto sentido Alpspitze, quando no sentido Zugspitze. Nossa expedição parou na paisagem da foto acima.

O caminho segue beirando um rio de águas correntes e cristalinas no meio da floresta. Subir a montanha depois de cerca de uma hora de caminhada é acompanhar este rio até a sua nascende, passando por falésias com diversas cascatas. A paisagem é de natureza linda, e oferece ainda pontos com panoramas de tirar o fôlego.

Nós seguimos o vale até uma base ao pé da montanha, de onde sai a trilha sentido Zugspitze (o da foto acima) e, de lá, pegamos uma trilha em direção a um dos bondes para descer. Caso você não esteja em forma, eu não recomendo fazer isso. Há um trecho de subida íngreme nessa trilha que, depois de cerca de três horas de subida pelo vale, pode levar você a crises de falta de ar, sensação de que suas pernas não mais o obedecem, suor (frio ou quente, tanto faz) e vertigens, e uma crescente obcessão por caminhos retos ou de descida. Eles chegam em algum momento.O caminho vale a pena, é belo, mas não é fácil. Na dúvida, desça pelo mesmo caminho por onde subiu.

Para entrar na Klamm, há um ponto de parada onde cobra-se uma entrada no valor de três euros.

É importante pensar em duas coisas antes de subir: sapatos de trilha impermeáveis e casaco de chuva. Há várias cascatas no caminho, algumas grutas e, eventualmente, a trilha fica molhada, com poças e ainda sobram umas gotas pro caminhante. Às vezes muitas. Em dia de calor intenso isso não é problema, mas em dia de frio, sim.

Para chegar:

Saindo de Munique, é só pegar o mesmo trem sentido Mittenwald e saltar em Garmisch-Patenkirchen. O trem sai de hora em hora.

Chegando em Garmisch, há um trem que vai direto até o Zugspitze. Caso você tenha o Bayern Ticket (aquele que custa 29 Euros para circular por toda a Baviera, válido para um grupo de até cinco pessoas), basta apresentá-lo no balcão de informações e receber o ticket do trenzinho. Para a trilha do Höllentalklamm, é preciso saltar em Hammersbach. De lá é só seguir as placas.

O site Höllentalklamm (http://www.hoellentalklamm-info.de) tem mais informações a respeito, além de fotos. Eu sei, está tudo em alemão, mas clicando em Bildergalerie é possível ver mais fotos, além das deste post.

Fotos: arquivo pessoal

Oktoberfest (Dicionário: Zelt)

E lá se foi a Oktoberfest! Perceberam que nós sumimos? Pois é, teve a ver com isso. E também com uma rodada de visitantes, já que a casa virou pensão no período. Aliás, visitas que muito nos fizeram felizes, por sinal.

Mas, falando em Oktoberfest, resolvi postar aqui algumas dicas preciosas para quem quer participar de uma das maiores festas populares do mundo no ano que vem.

Começando por algumas informações a respeito do que se trata afinal a Oktoberfest. A festa começou na verdade como uma corrida de cavalos em homenagem ao casamento do Kaiser com a princesa Teresa. Isso mesmo, não tinha nada a ver com cerveja. E o local onde a festa é realizada tem o nome que tem – Teresienwiese – em homenagem à tal princesa.

Mas isso já faz pra lá de duzentos anos. Com o tempo as coisas mudaram e hoje a festa tem parque de diversões mil, barracas de comes e bebes, brinquedos para as crianças e, claro, as famigeradas Zelten.

Zelt significa tenda, ou barraca. Na Oktoberfest, Festzelt é uma tenda onde acontece a festa. Uma banda toca música alemã, come-se e bebe-se muito e pessoas sobem nos bancos para cantar, dançar e brindar.

As tendas mais badaladas são as das cervejarias mais badaladas. Aliás, as cervejarias produzem uma safra de cerveja especial para a Oktoberfest, com teor alcoólico mais alto. Portanto, ao se acabar com a sua Maß (o caneco de um litro, padrão da festa), intercale com água, muita água, e alimente-se bem se não quiser ser carregado para casa e acordar com uma ressaca mortal no dia seguinte.

Quando ir?

Em termos práticos, a Oktoberfest enche todos os dias. A diferença está entre dias transitáveis e dias intransitáveis. Mas há alguns horários onde as chances de conseguir uma mesa para sentar são sensivelmente maiores, caso você não tenha reserva:

  • Em geral, antes das 15:30h. A partir desse horário, a grande maioria das mesas estão reservadas, algumas delas há meses, e poucas ficam disponíveis para os que não reservaram.
  • Chegar cedo não funciona necessariamente. Há os festeiros que gostam de tomar café da manhá nas tendas – a tradicional salsicha branca com cerveja, por exemplo – e, portanto, tudo enche. Chegue em horários pouco óbvios. Evite o horário do café ou do almoço, por exemplo.
  • Vá durante a semana
  • Evite o primeiro e o segundo fins de semana. São os fins de semana com maior movimento de turistas, especialmente de italianos. O último fim de semana costuma receber menos gente.

Se você estiver na cidade em um sábado ou domingo do primeir ou segundo fins de semana, e quiser festa nas tendas, esqueça. Elas nem abrem as portas por causa da lotação. Vá para os brinquedos do parque, drible transeuntes pelas vias, compre amêndoas açucaradas para comer e coisas do gênero.

Oide Wiesn

É a melhor opção para quem quer um ambiente mais tranquilo (ou menos agitado). O Oide Wiesn é uma parte da Oktoberfest mais reservada, onde toda a ambientação é feita da forma como a festa era realizada há anos atrás. Uma coisa meio nostálgica e também mais familiar. Paga-se uma entrada (3 Euros) que vale a pena.

Reservas

As reservas para as tendas começam a ser feitas já no início do ano. O que não significa que não seja possível conseguir uma quando a data já está mais próxima da festa. Elas custam cerca de 30 Euros, dependento da tenda, e precisam ser feitas por escrito. Vale a pena checar o site da Oktoberfest (http://oktoberfest.de). Lá há informações a respeito e a lista das tendas. Eu este ano fui na Löwenbräu (com reserva da empresa), entrei na Hofbräu, mas são todas animadas. Na Tradition, que fica no Oide Wiesn, fui sem reserva. Difícil, mas viável. Era último dia de Oktoberfest.

Eu posto depois umas fotos e outras informações que achar relevantes nos próximos dias, pra tirar a teia de aranha aqui do blog.

 

Dicionário: Balkonia

Balkonia, também conhecida como Balkonien, é um destino muito bonito e aconchegante para férias a baixo custo. A estadia não traz custos adicionais, e oferece conforto, intimidade, privacidade e um clima totalmente agradável para que o hóspede se sinta literalmente em casa.

Balkonia vem da palavra Balkon, que significa varanda. Mais perto de casa impossível, o que também diminui custos com passagens.

Balkonia foi o destino das nossas férias este ano. Sim, estamos passando as férias “em casa”. Assim, entre aspas, já que, claro, não passamos o tempo todo em casa. Em casa é basicamente o pernoite. Há muito a se conhecer desta cidade bonita chamada Munique, sem falar nos arredores. Foi uma decisão, a princípio, para conter custos diante de outras prioridades, mas que se tornou uma super agradável oportunidade de explorar o que temos por perto de nós.

Já fizemos trilha nos Alpes, e aproveitamos bastante os dias de sol às margens do Rio Isar. Aliás, com este rio por aqui, não sentiremos falta de praia! E eu, que por um momento quis os mares azuis da Grécia por alguns dos dias das nossas férias, já até abstraí! Águas cristalinhas, geladinhas e refrescantes, clima tranquilo, frequentadores educados, as praias do Isar são o que há de melhor no verão muniquense, acreditem!

Mas, como ainda estamos de férias, vamos poupar os detalhes e aproveitar o nosso tempo por aí. Em breve contamos mais sobre a cidade, as redondezas que explorarmos, mostramos umas fotos e deixamos as dicas.

Inté.

Os melhores … do mercado

Dia desses estava preparando um documento no trabalho. Tal documento deveria ser enviado para a equipe de gerência de projeto e TI da empresa e para a equipe da empresa está desenvolvendo um projeto muito importante em parceria conosco. A tal empresa é uma das maiores e mais reconhecidas da Alemanha na área de Usabilidade, tá?

A frase deveria conter a expressão “os melhores ônibus do mercado”. Na dúvida com o plural de Bus, fui checar a forma correta, vi que tinha escrito errado e corrigi. Na hora de enviar o e-mail, entretando, mandei o arquivo de antes da correção.

No dia seguinte, o chefe da equipe da outra empresa, a parceira, mandou-me um e-mail com o seguinte comentário:

Olá, Senhora Jane,
acho que a senhora cometeu um erro de Ortografia divertido no parágrafo “x” do documento. Qual é a forma correta? 🙂

Assim mesmo, com direito a smiley (lembrando que ele é alemão, e estamos em relacionamento estritamente profissional). Conferi o arquivo, fui direto ao plural da discórdia e ele estava lá, corrigido. Tinha uma bobagem na declinação do artigo para corrigir, mas nada que se considere “divertido”. Mas, depois, dei-me conta de que o arquivo enviado tinha sido o errado. E confirmei a gafe quando a mocinha chefe de TI da empresa me abordou, rindo, comentando sobre o episódio.

Na versão do documento que eu mandei, a expressão era: “die besten Busen im Markt“.

Agora joga isso no tradutor do Google para ver o que eu, com tantos elogios ao meu ótimo alemão, fui capaz de escrever e enviar para uma pequena galera do meu círculo profissional.

ps. para a Eve ver que até os mais experientes cometem gafes. E, quando o fazem, é com estilo!

ps.2. O plural correto de Bus em alemão é Busse. A expressão corrigida ficou “die besten Busse im Markt”. E disso eu  jamais esquecerei na minha vida!

die besten Busse im Markt
die besten Busse im Markt
die besten Busse im Markt

ps.3. para aqueles que tem preguiça de consultar o tradutor do Google, eu escrevi “os melhores peitos do mercado” no documento. Peitos…

Dicionário: Meme (hein?)

A Isa nos intimou a fazer o Meme. Sei lá de onde vem esse nome, mas a brincadeira consiste em dizer nove coisas aleatórias que sejam inéditas, fantásticas, sensacionais e absolutamente exclusivas sobre si mesmo.

Minha meme:

  1. Eu às vezes conto um conto e aumento um ponto, só pra ver se as pessoas acreditam. Depois eu conserto o exagero. Ou não.
  2. Roí as unhas na infância e parei na adolescência por pura inveja das meninas com unhas lindas e bem feitas e anéis bacanas que eu queria usar, mas que não combinavam com minhas cabecinhas de cobra. Tudo pela estética. Depois passei a cortar curtinhas pra nao atrapalhar ao tocar piano. Parei de tocar piano e depois cortei curtinhas para não atrapalhar na hora de escalar. Raramente consegui manter as unhas grandes iguais às das meninas de quem tinha inveja na adolescência.
  3. Eu tenho uma amiga virtual com quem converso. Quem flagra nossos papos pensa que eu falo sozinha, mas eu juro que não é verdade.
  4. Tenho sérios problemas para dormir cedo desde a mais tenra idade.
  5. Tenho orgulho de ser branquelinha e nunca gostei de tostar ao sol, mesmo sendo carioca.
  6. Tenho quatro sobrinhas e sou da mesma geração que elas.
  7. Tenho duas tatuagens: uma em homenagem à Música e outra em homenagem às montanhas que gosto de subir.
  8. Faço contagem regressiva como meio terapêutico de conter a ansiedade diante de um fato importante prestes a acontecer. Minha contagem atual está em onze.
  9. Amo Jesus.

P.S. Amor, diz a Isa que é pra você fazer também.

 

 

Dicionário: Blattläuse

A mocinha desta foto está sendo cultivada desde seu estágio bulbo. Eu vi seu primeiro brotinho naquele vaso cheio de terra,acompanhei seu crescimento firme e forte, vi seu primeiro botão aparecer. Essa aí na foto é a primeira Dália que brotou da plantinha, que agora já tem mais de um metro de altura.

A Dália é tapfer. Um dia, assim de repente, me dei conta de que ela era amada por outros seres miudinhos que tomaram seu caule, botões e folhas. O negócio é que esses seres malditos seres exigem dela sua rica seiva em troca de habitar o seu corpinho. No Brasil os malditos se chamam pulgões. Aqui se chamam Blattläuse  (se diz “blattlóise”, no plural).

Os malditos Blattläuse não se davam por vencidos. Queriam ficar. Além da Dália, eles ainda se instalaram numa planta cujo nome desconheço, e na outra Dália amarela, menor, que vive na nossa varanda. Tentei os meios amenos de combate recomendados por algumas fontes selecionadas pelo oráculo da internet, sob o termo de busca “Blattläuse bekämpfen”  (combatendo pulgões), como borrifar leite, ou chá preto, mas parece que isso apenas faz cosquinha.

Parti para a agressão usando detergente diluído em água seguindo recomendação da vizinha. No dia seguinte, uma das flores (já eram umas três a essa altura) estava parcialmente seca. Suponho que o detergente não reage bem com o sol que bate ali de manhã. Ou eu exagerei na dosagem. Ou as duas coisas.

Li que é bom jogar cinzas de cigarro nas folhas e na terra, mas eu não sou fumante e não estava disposta a queimar cigarro por causa disso.

Também li que as joaninhas são predatores naturais dos malditos Blattläuse, e tive uma manhã feliz quando vi uma coisa que até fotografei:

Viram ali, no botão? Uma pena que era só uma joaninha solitária que logo deixou a nossa Dália só.

Um belo dia a Fernanda recomendou uma receita: calda de fumo de corda. Ela me passou um link com receitas variadas. Mas, morando na Alemanha, tinha aquela coisa de achar os ingredientes. Diz aí como se diz fumo de rolo em alemão, diz! Mas ok, há similares, eu sou inteligente, tabaco é tabacco por aqui e eu adaptei a receita, misturando coisa daqui e coisa d’acolá.

A receita funcionou, os malditos Blattläuse sumiram e até hoje eu borrifo o preparado uma vez por semana, só por precaução. A receita também combateu as malditas miniaranhas, uma praga que começou a ameaçar meu alecrim. São aranhas pequeninhas que fazem suas teias na planta, geralmente escondidas na base e pouco visíveis, e acabam matando a mesma. Você só de dá conta quando as folhas ficam pálidas. O alecrim eu salvei, mas a lavanda está em coma por causa delas, e eu tardei a ver, de tão bem que elas se esconderam.

Mas então, vamos a receitinha adaptada:

  • Um pacote de tabaco
  • Álcool

Fiz cerca de dois litros de chá de tabaco e misturei um pouquinho de álcool. Mais ou menos o equivalente a uma tampa de amaciante. Deixei descansar por uns três dias, coei e guardei em ambiente longe da luz.

Para borrifar, eu misturo uma parte desta solução para dez partes de água. Muito difícil de fazer.

Pronto. Dálias felizes. A grandona não para de dar flores, a pequena amarela ainda está meio tímida. Só a planta anônima que, infelizmente, não resistiu.

Caso isso aconteça na sua casa, o ideal é começar o tratamento cedo. Eu custei a reparar nos malditos e eles se proliferam bem rápido.

Se você nem sabe como eles se parecem, faça uma busca na parte de imagens do oráculo da internet. Ele tem muitas fotos! Eu me recuso a dar Ibope visual para esses malditos aqui no blog.

Dicionário: Klamotten

Klamotten são, a princípio, roupas. Pensava eu que Klamotten e Kleidung eram a mesma coisa. Pensava.

Dia desses fiz uma redação para o curso de alemão. O tema era descrever uma obra de arte. Escolhi O Beijo, de Gustav Klimt, minha pintura favorita.

Viram aí que o casal está vestido com trajes estilizados? Eu escrevi que eles estavam “mit Klamotten angezogen“.

A frase virou um dos temas da aula. “Klimt e O Beijo não combinam com Klamotten!”, exclamou a professora. Foi assim que entendi que Klamotten está em uma posição entre o trapo e a roupa. Adolescentes não compram nem roupas, nem trapos. Compram Klamotten. Pessoas finas e delicadas, românticas e belas representadas em obras de arte por Gustav Klimt trajam vestes, jamais vestem Klamotten! “Klamotten são jeans rasgados”, disse a professora.

Pessoas normais vestem “Kleidung“. Gente fina aparece em pinturas do Klimt “in Gewänder gekleidet” (será que acertei nessa preposição?), não em “Klamotten angezogen”. Adolescente besta também vai para a escola usando Gewänder (ou das Gewand, no singular) e passa o resto da vida sofrendo Bullying.

E, seguindo no tema “curso de alemão”, quase enlouqueci quando vi tudo que aprendi sobre verbos modais (Modalverben) virou do avesso. Sollen virou imperativo subentendido e müssen eu nem sei mais definir. Já o wollen eu nunca soube usar direito mesmo dentro desse contexto, sempre uso formas alternativas de composição frasal para fugir dele. Agora tive que encarar.

E, de quebra, ainda tem o tal do uso subjetivo de tais verbos. Nessa eu descobri que o Alemão tem quatro níveis de probabilidade, dentro dos quais ele encontra diferentes formas de expressão. A suposição, o 50% de certeza, aquela dúvida mais perto da certeza e a certeza absoluta. Chupa essa manga, vai!

Meu consolo foi conversar sobre o assunto com um colega do trabalho, alemão, e tentar – do verbo “frustrar-se” – tirar com ele algumas dúvidas. O mocinho fitou-me com olhar de “não sei do que você está falando” e fui eu tentar explicar a ele do que eu estava falando. Listei os seis verbos modais e só por este fato já fui considerada por ele uma expert em Alemão.

Se ele soubesse que eu escrevi que o Klimt vestiu seu casal mais famoso com Klamotten

Dicionário: Tapfer

Tapfer não tem tradução em Português. Eu pelo menos não encontrei. E me peguei com uma dificuldade enorme para responder quando a professora perguntou na turma o que era tapfer. Eu sei o que é, mas não sabia explicar. Não significa corajoso, nem persistente, nem  forte. Tapfer é tapfer.

A explicação veio com exemplo: tapfer é a criança que vai ao dentista e não chora. Enfrenta o medo, o desconforto, enfrenta tudo de cabeça erguida. Algo próximo de destemido.

Tapfer somos nós, alunos do curso, que vamos para a aula com o maior sol brilhando lá fora. Levando-se a famigerada Lei de Murphy em conta, que tem trazido chuva e dias cinzentos nos fins de semana e muito sol e calor durante a semana, abrir mão do fim de dia com sol e amenas temperaturas para ir para uma sala de aula duas vezes por semana é coisa de gente tapfer.

Curiosamente eu só me toquei disso quando a própria professora mencionou isso no curso. Eu mesma fui para lá toda animada, cheia de vontade de voltar a estudar, aprender mais o idioma, me aperfeiçoar. Já é difícil mesmo dedicar os fins de dia ao lazer, então fui fazer algo de útil. E concluí que, provavelmente, a tapfer da história é ela mesma. Ou não?

De qualquer forma, as aulas terminam as sete e meia da noite, o que ainda me dá cerca de duas horas de dia claro. Aproveitei para voltar fazendo caminhos diferentes, passear um pouco, ver outras ruas da cidade. E, de novo, fiquei com aquela sensação de que nunca vou conseguir me perder por aqui. Você pedala, pedala e sempre encontra de novo uma rua familiar para levar você para casa.

Eu hoje passei pela Königsplatz…

Se fizer sol no fim de semana eu passeio mais. Se chover (de novo) eu vou ao museu. Já passou da hora de explorar essa cidade decentemente!

Dicionário: Verein

Verein é associação. Você paga uma mensalidade, torna-se sócio e tem uma série de benefícios.

Por aqui elas costumam funcionar muito bem. Tem Verein para tudo. Verein para escaladores (Alpenverein, com descontos e facilidades em locações, cursos e eventos na Região dos Alpes), Verein para quem gosta de futebol (o Bayern de Munique mesmo tem uma) e Verein de contadores, para dar aquela consultoria na hora de esclarecer dúvidas e fazer a sua declaração de Imposto de Renda.

Verein também pode ter serviços de seguro específicos. E certa vez recebi a recomendação da Ver.di (Vereinte Diensleistungen, ou Serviços Reunidos na minha tradução livre) uma Verein de prestação de serviços em geral. Tem de tudo, de serviços de contabilidade, orientação financeira, orientação para mercado de trabalho e serviços jurídicos trabalhistas.

A Ver.di funciona assim: ao se associar você tem acesso imediato a ótimos consultores em toda a Alemanha, a qualquer momento, pessoalmente, por telefone ou por e-mail. Depois de três meses como sócio, você tem ainda um Seguro de Proteção Jurídica. Ou seja: se alguém resolver dar a você um motivo para procurar a Justiça do Trabalho, por exemplo, e você for associado há mais de três meses, a Ver.di cobre os seus custos como uma seguradora.

O valor da mensalidade varia de acordo com a sua situação econômica. Se você é assalariado, como eu, a mensalidade equivale a 1% do seu salário bruto. Pessoas desempregadas, estudantes, aposentados ou profissionais liberais seguem outras regras.

Portanto, se você mora na Alemanha e se enrola na declaração do Imposto de Renda, ou orientação sobre Previdência, ou já viveu situações estranhas em ambientes de trabalho, é vítima de Mobbing ou coisa semelhante e não sabe o que fazer, ou quer simplesmente se precaver, entre outras coisas, associe-se. É um amparo que pode definitivamente valer a pena.

Visite clicando aqui: ver.di

Ou associe-se clicando aqui: ver.di Mitglied werden

ps. apenas em Alemão

Dicionário: Jein, zu Hause e Heim

Jein = palavra de uso coloquial formada pela junção de Ja (sim) com o Nein (não). O clássico “sim, mas…” E pronuncia-se Iáin.

Você responde um jein quando, por qualquer motivo, sua resposta não pode ser exatamente um sim nem não. Acontece quando me perguntam se meu marido mora aqui. A resposta é frequentemente jein. Mas não demora a ser seguida pelo sim.

Explico isso com nosso segundo termo do dicionário de hoje: zu Hause.

Ao pé da letra, significa em casa. Entretando, tem um significado muito mais profundo. Aquele que nós com pouca frequencia usamos no Português: lar.

Zu Hause é onde seu coração está. Geralmente é o seu endereço oficial, a casa que você alugou ou comprou, e onde você recebe sua correspondência. Mas isso não basta. Você precisa se sentir zu Hause para estar zu Hause. Não é à toa que, vez por outra, um ou outro alemão que ainda me conhece pouco, pergunta comq ue frequência eu vou para nach Hause (para casa), referindo-se aos planos de viagem para o Brasil. Como se o Brasil fosse minha casa, apesar de eu morar aqui.

Meu marido ainda tem um pé lá e outro cá, por motivos de força maior. Eu moro aqui, e ambos estamos zu Hause quando estamos aqui. Para o pessoal aqui da Baviera, isso é extremamente difícil de entender. Bávaros são extremamente ligados ao zu Hause, ou Heim, como eles dizem por aqui. E Heim para eles não é apenas a Alemanha, é a Baviera!

Minha mãe costumava dizer, quando eu ainda era criança, que lugar bom de viver é onde você se sente bem. Não precisa ser necessariamente o lugar onde você nasceu. Especialmente hoje em dia, com a famigerada Globalização. E, neste momento de nossas vidas, zu Hause ou Heim estão aqui em Munique. Mesmo que um de nós ainda passe a maior parte do seu tempo fisicamente em outro lugar.

Em breve: dicas sensacionais de Salzburg!