Sobre as laranjas

O que escrevemos (e o que não escrevemos)

Todos os textos deste blog são de nossa autoria. Exceções são indicadas como tal, quando acontecem, com os devidos créditos citados.

Aqui escrevemos um pouco de nossas experiências, das nossas impressões e reflexões, geralmente sobre a vida de imigrantes na Alemanha. Não escrevemos tudo o que nos acontece. Contamos apenas aquilo que queremos contar. Isso pode parecer óbvio, mas já houve quem pensasse que este blog é a íntegra de nossas vidas. Não é, e está longe de o ser.

Por que Laranjas?

Nossa árvore de Natal é a mais, digamos, exótica que já tive na vida. Não compramos um pinheiro. Nem de plástico (que já é mesmo coisa de brasileiro, o pinheiro de plástico) e nem de verdade, como se compra por aqui. Enfeitamos nossa árvore do minicasamento, lembram dela? Deixamos todos os bilhetes dos convidados nela (aliás, não pretendemos tirar os bilhetes dali).

Colocamos um jogo de luz. Ele não pisca em ritmos diferentes, não toca musiquinhas natalinas e nem tem várias cores. É um jogo de luz branca e constante. Ponto. Penduramos um jogo de bolas prateadas, foscas e polidas. E como nossa árvore lembra uma laranjeira, eu a apelidei carinhosamente de árvore das laranjas prateadas.

Para completar, temos dois enfeites que escolhemos na Feirinha de Natal para chamar de “nossos”. Os primeiros enfeites personalizados. O “meu” é um par de sapatos de cristal. Tipo scarpin, transparente e com lacinho, posicionado estrategicamente bem na frente de uma das minilâmpadas do jogo de luz. O “dele” é um joguinho de dois sinos com pinhas, também prateados. Mas ainda devemos acrescentar um ou outro.

A árvore das laranjas prateadas marca o nosso primeiro Natal como casados. Também marca o nosso último Natal em Berlim. Ela traz os amigos que fizemos, os lindos momentos que vivemos, as memórias e histórias.

Ela também significa essa maneira não- convencional de comecarmos nossa vida a dois, de darmos a largada para algo totalmente novo, juntos. Nova cidade, novo emprego, novo apartamento, nova vida.

É o fim de 2010, o fim do Beijo de Pracinha. Aquela, de Berlim, onde demos nosso primeiro beijo.

É o início de 2011, e da nossa vida em Munique.

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