Da decepção com a cortina ao novo hobby

Já falei que compramos uma cortina e enjoamos dela poucos dias depois? Agora ela vive aberta, só fechamos mesmo quando ver filme na sala durante a tarde se torna tarefa complicada por causa dos reflexos solares.

Mas o que se faz com tanto tecido novinho em folha de uma cortina que não nasceu para ser cortina? Resposta: almofadas, jogo americano, bolsinha de celular. Mas e a máquina de costura? Resposta: lista de reciclagem e um pouco de cara-de-pau. Só um pouco, afinal, a lista existe para isso mesmo. Mandei um e-mail perguntando se alguém tinha uma máquina parada e sem uso e pronto. Ganhei a Patrícia, usada, antiguinha, mas costura!

E como se aprende? Bem, eu já tinha alguma noção. Fazia minhas pregaduras de botão, bainhas e roupas de boneca na mão desde criança. Para manusear a máquina eu li o manual. Para aprender demais coisinhas eu vi vídeos do YouTube. E com isso já forrei quatro almofadas, fiz uma capinha de celular, e um jogo de guardanapos de tecido. Agora consigo fazer bainhas em linha reta, vou arriscar encurtar umas calças.

E providenciei um livro. Esse ainda não chegou, mas ensina a costurar e ajustar roupas. E eu que já não tenho paciência para compras, mas estou adorando costurar, acho que vou resolver o meu problema.

Mas, por enquanto, estou só nas coisas simples. Ainda não dei fim no tecido da cortina, preciso encontrar um tecido para a cortina nova que vai substituí-la. Eu só treinei com a toalha de mesa aposentada e a sobra do cetim da saia do vestido de noiva.

Para quem quiser saber que tal de lista de reciclagem é essa, ela se chama freecycle. Entrei para doar coisas depois da mudança, mas também já aproveitei duas doações: minha primeira bicicleta de corrida e um espremedor de laranjas elétrico. E agora a máquina de costura. O conceito é simples: reciclar é ecologicamente correto e econômico.

Eu sou sócia do freecycle-muenchen, mas existe dela em outras cidades na Alemanha também, em outros países (alô, Brasil! no Rio tem!). Procure o oráculo da internet que não é difícil. Registre-se e participe.

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A Pinacoteca e a decoração da casa

Fui com os best friends à Pinakothek der Moderne. Arte moderna e Design, temas de grande interesse para quem há muito não visitava um museu. E altamente recomendável para interessados no assunto. Amigos levaram os filhos, e a pequena – a mesma de um ano e meio que veio aqui em casa no sábado – era só alegria. Queria tocar tudo, pegar tudo, corria e ria e mama levava bronca dos guardinhas. Em algum momento ela teve que ir para o carrinho. A contragosto, claro.

Fiz interpretação de quadros com o filho mais velho, tirei muitas fotos (todas na câmera da Ju, sorry) e me senti… bem… pessoa de idade avançada, apesar de não o ser. Imagine vocês que lá estavam alguns ícones que eu mesma, em tenra idade não muito distante no passado, usei. Peças como uma máquina de escrever Olivetti, com a qual fazia meus trabalhos de escola, e que agora é peça de museu. Literalmente. Não vou nem mostrar uma foto dela aqui.

A exposição de Design de móveis e produtos foi a mais interessante. O primeiro Mac? Está lá. O segundo e o terceiro e mais uns outros também. As impressoras matriciais? Também. Celulares-tijolo? Também. E aquilo que muitos chamavam de “mini” faria  qualquer adolescente portador de um smartphone dar uma risada.

Também tive momentos nostálgicos na parte de Design de Móveis. Objetos que conheci quando estava na faculdade, ícones do Design da Bauhaus, coisas que até já tinha visto em outros museus, pude hoje rever. E nada mais nostálgico do que a Arne Jacobsen:

Essa nós tínhamos em algumas salas da faculdade onde estudei.

Com essa influência toda associada à minha fase de recém-casada-decorando-a-casa, saí de lá com alguns, digamos, objetos de desejo em mente. Para o futuro, claro, devidamente visualizados na nossa sala. Ambos também do Design Escandinavo de Arne Jacobsen.

O primeiro é um modesto conjunto de cadeiras da Serie 7 como a do modelo acima em versão forrada com couro:

Gosto da vermelha.

O segundo… bem, o segundo é “apenas” a Egg Chair, também preferida do meu amigo, que por sinal pediu uma de aniversário caso não possamos presenteá-lo com um Audi Cabrio. A nossa pode ser vemelha-grená, combina mais com nossa sala do que a da imagem abaixo.

Antes que alguém questione a “grife” das peças em questão, vale lembrar que são sim confortáveis. E muito. As da Serie 7 foram variações da chamada “Formiga”, criadas para produção em série de baixo custo. Teoricamente não deveriam ser caras, mas aí começa aquela discussão sobre valor agregado que pode ficar muito longa para um post.

E como meus objetos de consumo de hoje estão com valores de três dígitos no primeiro caso, e quatro dígitos no segundo, cheguei a refletir se valeria a pena recorrer à amiga alemã das classes menos abastadas e investir em duas que não são exatamente umas Jacobsen, mas…

… são até parecidas e simpáticas. Mas acho que vou ficar com Síndrome de Brastemp se fizer isso.

Voltando ao planeta Terra, ficamos com nossos móveis lindos e aconchegantes de segunda mão até segunda ordem.

Fotos da visita ao museu em outro post em um futuro próximo.

Sala tricolor

Nossa mudança teve transformações em termos de espaço. O apartamento é maior e tem duas novidades em relação ao de Berlim: um hall de entrada decente e uma varanda. E antes que vocês considerem o hall de entrada um espaço supérfluo (como eu outrora considerei em terras tupiniquins), pense em você, seu marido e suas visitas chegando em sua casa em um dia de neve com os sapatos cheios de lama, gelo e cascalho. Os sapatos ficam aonde? No seu tapete novinho ou no hall?

Pois é. O nosso agora tem espaço para a sapateira, o cabideiro e o espelho! A sapateira e o cabideiro foram duas aquisições de um amigo que vai se casar e passou parte de seus móveis de solteiro para nós. A sapateria tem o tamanho exato que sempre sonhei, para o número ideal de sapatos – meus, do Rafa e dos convidados, mais as pantufas para visitas – com gavetas para cachecóis, luvas e acessórios em geral.

Mas a aquisição mais, digamos, interessante foi o sofá-cama. Seminovo, estofado vermelho-grená, almofadas em tom branco-marfim. Lindo. Mas faltava ver o que aconteceria quando colocássemos o mesmo com o nosso tapete verde-pistache de estimação. Deu um medinho dessa combinação meio ousada não ficar muito boa e sermos obrigados a nos desfazer ou de um ou do outro. Pegar itens de segunda mão tem essas coisas: você abre mão daquela decoração toda combinadinha e planejada e vai arrumando as coisas com o que tem e usando a criatividade para fazer ficar bom.

Mas eis que ao ver a sala arrumada, com sofá-cama vermelho-grená, o tapete verde e as almofadas marfim, ouço o seguinte comentário do Rafa: amor! temos uma sala tricolor!

Pois é, gente. Juro que não foi planejado, mas nosso querido Fluminense, Campeão Brasileiro de 2010, está representado na nossa sala de estar! E o mais curioso é que – juro! – Combinou! Adoro nossa sala tricolor!

O que não combina ainda é essa variedade de tons de madeira diferentes que temos entre os móveis. Mas isso nós arrumamos aos poucos, com o tempo.

Dali na nossa sala

Eu adoro Arte. Sempre gostei. Tanto que trabalho com ela, ainda que indiretamente. Eu me deixo inspirar por ela.

E sou daquelas que, na hora de arrumar a casa, quis ter a reprodução de O Beijo, do Gustav Klimt, na parede. Também quis usar cores. Também gosto de coisinhas e objetos inúteis-porém-simpáticos. E se eu bater o olho em um que faça alguma referência à Arte… Pois é.

Aconteceu que esses dias eu passeava pelo centro da cidade com minha amiga e paramos em uma loja estilosa de decoração. Foi ela que viu o relógio do Dali. Isso, aquele fluido mesmo que escorre da mesa. O da loja estava em forma de relógio funcionante. Escorrega da mesa e faz tic-tac, o que o torna mais interessante que o do quadro do Dali. Achei que fosse caríssimo, mas… não era!

Meu amor não gosta, disse que o relógio dá náuseas. Mas eu adoro. Além de ser conceitual. Já pararam para refletir nessa imagem de um relógio escorrendo? Filosofem aí…