Minimalismo para tirar a poeira

Pelas andanças da internet, caí no blog da Rita. Conta ela sobre o minimalismo, com muitas dicas e até um livro para download gratuito. Tem dicas mil para simplificar a vida. Mais do que minimalismo na decoração ou no vestuário, ser minimalista é quase uma filosofia de vida. É estabelecer prioridades, e viver com aquilo que se faz realmente necessário, abrir mão do que não é.

A Rita dá dicas para administrar o dinheiro, destralhar (adorei esse verbo!) a casa, o armário, até o tempo.

Coincidentemente, eu já vinha destralhando umas coisas, especialmente no armário. Já havia eu conversado com minha amiga J. que estava revendo os hábitos: cultivar rotinas simples, não deixar tarefas se acumularem, aproveitar melhor o tempo, acordar mais cedo, manter ordem na casa e na vida.

O minimalismo libera espaço na vida. Para respirar, para viver, para falar mais devagar, aproveitar melhor a conversa do café da manhã, o dinheiro economizado para algo que se goste, seja um presente, uma viagem, uma ajuda a quem precisa. É mais do que reduzir o ruído. É organizar para aproveitar melhor.

Então ando, aos poucos, destralhando mente, tempo, porão, casa. E para quem se interessa em simplificar a vida, vale a visita: The busy woman and the stripy cat

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Integração #3 – Se não pode contra o inverno, junte-se a ele

Faça uma caminhada em dia de céu azul e muita neve. Eu sei, existe um fenômeno climático interessante por aqui: quanto mais limpo o dia, mais baixa a temperatura. Por conta disso, há duas opções para sua caminhada no inverno: temperaturas amenas e dias cinzentos, ou dias ensolarados e temperaturas glaciais.

Eu prefiro os dias ensolarados congelantes. Céu azul e neve branquinha. O frio congelante dá lugar a uma incrível sensação de frescor depois de cerca de dez minutos de caminhada para esquentar. Respira-se ar puro e consegue-se até sentir calor, dependendo do número de casacos e blusas debaixo do casaco-mor de inverno.

Para suportar o frio nos pés, tenho uma dica quente: calce uma meia normal, um saco plástico por cima, meia grossa por cima do saco plástico e o seu sapato de inverno. Dica de moradora do Pólo norte, em entrevista na rádio aqui. Testei nos Alpes debaixo de -18 (isso mesmo: menos dezoito) graus e aprovei.

Outra forma de se adaptar ao inverno é aproveitar as pistas de patinação ao ar livre. São gratuitas, embora não tão lisinhas quanto aquelas de shopping que alguns costumam frequentar no Brasil em dias de verão, geralmente em véspera de Natal com papai noel de barba de algodão. Enfim… nos lagos e rios congelados aqui pode-se patinar.

Atenção apenas a questões de segurança: o gelo precisa estar espesso o suficiente, por motivos óbvios. As rádios costumam dizer onde está seguro patinar, mas eu costumo seguir uma regrinha básica: tem muita gente na pista? Tem crianças patinando? As temperaturas estão negativas há mais de uma semana? Se a resposta for “sim” a todas essas perguntas, pode patinar. Geralmente os locais perigosos são marcados com faixas de isolamento também. Atente a elas e mantenha distância.

Não eu não adquiri meus patins. Ainda. Estou pensando no assunto, depois de ter alugado infelizes patins de uma fina folha de couro mixuruca que fez meu pé congelar antes do tempo e estragar minha diversão da última vez. Patins alugados agora, só em quadras fechadas.

Agora atenção ao registro do look sensacional da mocinha na sua última caminhada gelada, ao lado do amado marido, nos Alpes. Essa moda de casaco vermelho, luvas azul-turquesa e óculos à la John Lennon ainda pega. Coisa linda (isso foi uma ironia. Mas eu estava quentinha).

Da decepção com a cortina ao novo hobby

Já falei que compramos uma cortina e enjoamos dela poucos dias depois? Agora ela vive aberta, só fechamos mesmo quando ver filme na sala durante a tarde se torna tarefa complicada por causa dos reflexos solares.

Mas o que se faz com tanto tecido novinho em folha de uma cortina que não nasceu para ser cortina? Resposta: almofadas, jogo americano, bolsinha de celular. Mas e a máquina de costura? Resposta: lista de reciclagem e um pouco de cara-de-pau. Só um pouco, afinal, a lista existe para isso mesmo. Mandei um e-mail perguntando se alguém tinha uma máquina parada e sem uso e pronto. Ganhei a Patrícia, usada, antiguinha, mas costura!

E como se aprende? Bem, eu já tinha alguma noção. Fazia minhas pregaduras de botão, bainhas e roupas de boneca na mão desde criança. Para manusear a máquina eu li o manual. Para aprender demais coisinhas eu vi vídeos do YouTube. E com isso já forrei quatro almofadas, fiz uma capinha de celular, e um jogo de guardanapos de tecido. Agora consigo fazer bainhas em linha reta, vou arriscar encurtar umas calças.

E providenciei um livro. Esse ainda não chegou, mas ensina a costurar e ajustar roupas. E eu que já não tenho paciência para compras, mas estou adorando costurar, acho que vou resolver o meu problema.

Mas, por enquanto, estou só nas coisas simples. Ainda não dei fim no tecido da cortina, preciso encontrar um tecido para a cortina nova que vai substituí-la. Eu só treinei com a toalha de mesa aposentada e a sobra do cetim da saia do vestido de noiva.

Para quem quiser saber que tal de lista de reciclagem é essa, ela se chama freecycle. Entrei para doar coisas depois da mudança, mas também já aproveitei duas doações: minha primeira bicicleta de corrida e um espremedor de laranjas elétrico. E agora a máquina de costura. O conceito é simples: reciclar é ecologicamente correto e econômico.

Eu sou sócia do freecycle-muenchen, mas existe dela em outras cidades na Alemanha também, em outros países (alô, Brasil! no Rio tem!). Procure o oráculo da internet que não é difícil. Registre-se e participe.

Manual da integração #2: Aprenda alemão, mas mantenha o sotaque

Que saber a língua local é essencial para um bom processo de integração, todo mundo sabe. Sem falar o idioma, não há como, é impossível, inviável aprender e, consequentemente, se adaptar à qualquer cultura.

Daí que falar alemão é bonito (sim, eu gosto, adoro, acho lindo) mas não é fácil. Exige dedicação. Eu vi filme sem entender patavinas, li livros em voz alta para poder me ouvir e treinar a fluência e não dava a mínima se meu alemão era perfeito ou não. Falava e ponto. E o povo corrigia, o que é bom e ajuda muito.

Portanto, com dedicação, tudo é possível. Uma hora você fala. E se não tiver o famigerado “bloqueio” psicológico para falar que a maioria tem, melhor ainda. Se tiver, procure vencê-lo. Ele existe, atrapalha, mas não é nada que não possa ser contornado com um pouco de perseverança para abrir a boca. Não dói nada. Garanto.

E não tenha medo dos alemães que vão ouvir o seu sotaque e seus errinhos de declinação. Na maioria das vezes (ao menos nas grandes cidades) eles vão elogiar você, incentivar, eventualmente corrigir, o que é ótimo na fase de aprendizado. Eu nunca, jamais, tive experiências negativas com eles no meu processo de aprendizado. Pelo contrário. Eles não mordem. Garanto. Portanto, não tenha medo.

Mas mantenha algum sotaque, ok? Sem neuras de falar alemão como se fosse alemão. Eu já tive essa neura, perfeccionista que sou. Grande bobagem! Ok, pronúncia é importante para se fazer compreendido, e sotaque excessivo dificulta a comunicação. Mas sotaque é coisa normal, parte da identidade de cada um. Temos diferentes sotaques no Brasil, alemães tem diferentes sotaques dentro da Alemanha e, portanto, brasileiro falando alemão com sotaque é normal. Mais do que isso: é bonito. Eles gostam! Cansei de ouvir alemão dizer que acha o sotaque brasileiro bonito! Se for lendo as poesias de Goethe então…

Para concluir, este manualzinho da integração não tem a pretensão de ser um guia de regrinhas absolutas. Foi o que funcionou e funciona comigo, na minha experiência pessoal. Resolvi publicar porque… ah, vai que ajuda mais alguém, não é?

Manual da integração #1: a experiência gastronômica

Pesquise sobre as especialidades locais. Evite a internet, pergunte aos amigos, colegas de trabalho, pessoas locais.

Depois dê o seu toque pessoal à receita. Integrar-se não significa esquecer quem você é e virar alemão. É adaptar-se à cultura local e trazer o que tem de bom na sua como contribuição. Simbolicamente falando, pegue a receita local e acrescente algo seu como contribuição.

Eu descobri que um dos pratos mais tradicionais da Baviera é o Spätzle. Provei desta delícia pela primeira vez na casa de um amigo local, que preparou a versão mais tradicional: com queijo.

Um bom bávaro diz, obviamente, que é uma especialidade bávara. Mas dizem outros não-bávaros que trata-se de uma especialidade schwäbisch, ou seja, original de Schwaben, região situada entre os estados de Baden-Würtemberg e Baviera. Para mim é especialidade do sul da Alemanha. Ponto.

Spätzle é uma massa cozida típica, e pode ser servida como prato principal ou como acompanhamento de carnes, por exemplo. É uma das muitas especialidades de tempos de escassez, onde era preciso ser criativo com poucos e simples ingredientes, como farinha e ovos, por exemplo.

Perguntei a um colega do trabalho pela receita. Receita de um “local”, por assim dizer. Muito feliz pelo meu interesse, o rapaz providenciou a descrição da receita básica e de três variações do Spätzle.

No dia seguinte ele recebeu uma foto da variação mais tradicional, preparada na noite anterior, com um “toque a mais”.

Modo de preparo:

Encher uma panela com 3/4 de água, acrescentar sal e um pouco de óleo e deixar ferver. Enxaguar o Spätzlehobel com água fria, preencher o recipience móvel com massa – não sobre a panela, senão a massa “gruda” – e, com leve pressão, mover o recipiente pra lá e pra cá sobre a panela, até a massa ter passado toda. O Spätzle está cozido quando boiar na panela. Retirar com a escumadeira e deixar escorrer. Dica para a limpeza do Spätzlehobel: limpar os restos de massa com uma escova e água fria, e depois lavar normalmente. Não lavar na máquina.

Mas Jane, o que é um Spätzlehobel?

Resposta:

O tal recipiente é a parte branca, que corre para lá e para cá. É possível usar um espremedor de babatas para fazer passar a massa, se ela tiver uma base alternativa com furos grandes. A massa tem que passar pelos furinhos e cair na panela em forma de “gotinhas”.

Agora os ingredientes.

Receita básica (para 4 pessoas):

  • 500g de farinha de trigo
  • uma pitada de sal
  • 4 ou 5 ovos
  • 1/8 a 1/4 de água

Misturar todos os ingredientes até formar uma massa macia. (Este video aqui mostra a consistência da massa direitinho, lá pelos 2 minutos). A massa não pode ficar firme! É “molenga” mesmo. E o vídeo mostra tanto o modo de fazer com o Spätzlehobel, quanto com o espremedor de batatas.

Kässpätzle (Spätzle de queijo)

Esta é a variação mais tradicional. Prepare a receita básica. Em uma forma intercale camadas de massa com camadas de queijo emental. Cubra tudo com uma camada de cebola tostada. Leve ao forno a 60 graus por cerca de dez minutos, só para derreter o queijo.

A minha contribuição foi acrescentar bacon torradinho junto com a cebola. O resultado está na foto acima.

Spätzle integral

Receita básica, substituindo a farinha de trigo por farinha integral. Eventualmente pode-se misturar a farinha integral com farinha de trigo na proporção de 2/1, caso a massa fique muito firme. Fica ainda melhor se, depois de pronto, fritar com um ovo em uma frigideira. Servir com salada.

Spinatspätzle (Spätzle de espinafre)

  • 400g de farinha de trigo
  • 2 a 3 ovos
  • 1/4 litro de água
  • 250g de espinafre fresco picado e cozido.

Temperar tudo com sal e noz moscada e misturar até formar uma massa com a consistência descrita acima. Servir com molho de carne moída.

E por fim, Späzle é uma especialidade que dá margem para muita criatividade. A receita básica pode ser servida como acompanhamento do clássico Schweinebraten* ou outros tipos de carne, por exemplo. Também é possível fazer a variação de espinafre usando outras verduras ou ervas.

Eu ainda estou pensando como integrar algum elemento da culinária brasileira no Spätzle… De preferência diretamente na massa.

O Reveillon

Mais um texto tardio por uma no que ainda é novo.

Na véspera do Reveillon, nossos amigos que moram em Milão perguntaram o que faríamos nesta data. Estávamos acabando de montar móveis e animados para passar as festas em casa mesmo. A dois, com os amigos que tinham avisado que talvez viessem, ou com quem mais desse notícias de última hora.

Os dois vieram e passaram alguns dias conosco. Além deles, nossos amigos-irmãos também estiveram aqui para comemorar conosco. Foi uma noite bem tranquila, queijos, vinhos, papo e musiquinha agradável, crianças na sala.

Lamentei não ter férias na primeira semana do ano e aproveitar mais os dias que eles passaram aqui. Tivemos os jantares. E a troca de vinhos, para abrir daqui a dez anos.

Eu, como a grande maioria das pessoas, fiz lá a minha retrospectiva de 2011. Eu não vou falar dela aqui. Imitei (descaradamente!) a ideia da amiga da minha amiga de fazer uma carta e mandar para pessoas da família. Mandei só para os muito próximos no Brasil, as pessoas que amo e que, por motivos geográficos ou por fuso horário, não conseguem acompanhar as coisas no tempo e no detalhe que gostaria.

Por aqui eu digo apenas que foi um ano que teve um fim bem melhor do que foi o começo. Superamos dificuldades, passamos por adaptações, nos decepcionamos com algumas coisas, fizemos novos amigos, fortalecemos os mais antigos. Resolvemos várias questões, nos apaixonamos pela Baviera. Vibramos com alguns casamentos, viajamos um pouco, sentimos saudades, matamos saudades, reencontramos familiares.

E que agora venha 2012!

Quarto, banheiro e cortinas

Enfim conseguimos. No cantinho de dormir tudo está branco. Bem clean. E portas de espelho no armário que adoro! Não posso dizer que já arrumei a bagunça no armário, mas já consegui escondê-la lá dentro.

O que o armário tem de clean tem a sala de color. Sabem que ela é tricolor, né? Sofá grená com branco-marfim, tapete verde, bem melhor time do Brasil. Faltava cortinha. Descobri que tenho problemas com cortinas. Eu acho. Tinha uma verde aqui em um canto esperando uma haste para ser pendurada. Achei que ficaria lindo, por ser fininha e do mesmo tom do tapete. Ficou horrível. Tirei no dia seguinte.

Daí achei que a vermelha-grená, de tecido mais nobre e do tom do sofá, também ficaria linda. De fato ficou, no primeiro dia. No segundo ela estava menos linda. No terceiro eu estava feliz por ter privacidade na sala à noite e a quebradinha de luz necessária durante o dia para assistir filmes ou para visitas dormirem e acordarem bem. Eu ainda a acho bonita, mas… assim… é vermelha, né? Ainda não sei se vou conseguir me acostumar com ela ou se vou enjoar em dois tempos. Medo de ser over. Mas ver filmes ou dormir de tarde com ela fechadinha é delícia!

A próxima tentativa fica sendo uma branca-marfim, bem neutra. Não pode dar errado!

E, para terminar o post-decoração, o banheiro finalmente está decentemente iluminado. Graças ao marido prendado que tenho, que conseguiu desvendar os mistérios da instalação elétrica esquisita que tinha naquele orifício sem uso no teto, temos agora duas lâmpadas e luz no banheiro que tem azulejos beges, mas não tem janelas. Nem quero saber quem é o ser que faz um banheiro pequeno e sem janelas ser bege e com apenas uma lâmpada mixuruca acima do espelho. Enfim, águas passadas. Embora ele ainda seja bege, mas vai permanecer assim. Tem luz! E armarinho com espelho!

Bom é ter tudo prontinho agora. Depois de longos dias de trabalho entre Natal e ano novo, temos essa conexão emocional com as coisas, no melhor estilo “nós que montamos”. Agora a sala vai esperar…

Depois eu conto do Reveillon.

Atualização: só para relembrar a sala tricolor:

Ainda não fiz fotos novas das mudanças, fica pra depois.

Resumo do Natal

Já passou, mas vale o registro. Este foi nosso primeiro Natal na casa nova. E, como não poderia deixar de ser, queríamos festa e árvore de Natal.

A festinha foi bem familiar. Nossos melhores amigos, fondue de queijo, fogos na rua, fondue de chocolate, troca de presentes e os votos de paz e amor. Senti falta de não ir a um culto de Natal. Eu sempre vou, há anos. Mas Deus está principalmente dentro de nós.

Procuramos uma árvore bem alemã, já que a nossa árvore das laranjas do ano passado ainda não suporta boas e enfeites de Natal. Está crescendo, mas deu uma reduzida no ritmo quando o inverno chegou.

Deixamos para procurar pinheiros na última hora e só encontramos árvores grandes, feias e caras. Improvisamos com papel de presente!

Usamos papel de presente e fica crepe de forma muito criativamente copiada daqui, com uma ideia que salvou a decoração da noite!

E assim foi a nossa noite. Um pouco frustrante por causa dos dias de temperaturas altas para a época e sem neve. Gosto de Natal branco. Mas as temperaturas mais amenas tem também suas vantagens, claro.

E, por fim, o mais importante: que o Jesus nos traga paz e muito amor, não só no Natal, mas em todos os dias de todos os anos, e nos lares de todos.

A Berlim que levamos conosco

Existe aquela Berlim que amamos e que visitamos, que estará sempre lá. E existe aquela Berlim que levamos sempre conosco, não importa o que a Geografia diga.

Ela tem casamentos que ficam na memória, seja com noiva vestida de branco ou noiva estilosa. Amigos felizes, que celebram o amor e o que há de mais gostoso em vivê-lo, tanto a dois quando entre os amigos. Tem momentos em festas, conhecer gente nova que só se conhecia de ouvir falar, mas que já parecia conhecer há muito tempo.

Tem um restaurante persa, regado a conversas e lembranças de tempos de trabalho. Café na estação, hora bem aproveitada antes do trem chegar. Café com bolo e amigo de namorada nova.

Tem sotaque mineiro, alemão, italiano, nordestino. Risos mil, muita música (ao vivo!) e alegria, conversa regada a Aperol Spritz. Tem papo-cabeça (ou nem tanto, falar bobagem também é bom), casa quentinha, aconchego de lar que nos deixa o coração cheio de gratidão.

A Berlim que levamos conosco também tem uma igreja, um aconchego de lugar cheio de gente que quase não me deixa ir embora. A “despedida” de lá demora uns quarenta minutos!

Tem vizinha falante, cheia de histórias dos tempos de muro, ou de pós-guerra, ou atuais. Casa de vó, docinhos na bolsa pra viagem.

E, claro, tem a lembrança da pracinha, do primeiro beijo, bem no dia dos dois anos de casamento alemão.

Berlim é uma de nossas relíquias, e por ela seremos sempre gratos, enquanto vivermos.

Berlim para visitantes

Depois de quatro anos morando em Berlim, confesso que senti um certo estranhamento em estar na cidade como visitante pela segunda vez. A primeira eu nem conto muito, tinha acabado de me mudar para Munique. Ainda me sentia moradora de Berlim, temporariamente em outra cidade.

Desta vez foi diferente. Não fizemos passeios de turista, estes conhecemos bem, eu mais do que o Rafa. Encontramos muitos amigos, e compartilhamos da felicidade de dois casais queridos que comemoraram a união de suas escovas de dentes. Foi como estar em casa, mas em uma segunda casa.

As comparações entre as duas cidades foram inevitáveis. Eu continuo amando Berlim, vou amar sempre. Mas me senti a mocinha do interior visitando a cidade grande. Eu, carioca da gema, achei Berlim grande demais. Não quero nem pensar como vou me sentir quando voltar ao Rio para a próxima visita, que nem tem previsão de acontecer.

Comparações à parte, fiquei muito feliz de rever os amigos. E revi muitos. Até aquela muito amada que mora em Schwerin e que estava de passagem por lá no dia em que chegamos. Conseguimos um encontro de uma hora para um café antes dela pegar o trem de volta pra casa, eu e Rafa ainda com as malas saracutiando por aí.

Foram cinco dias que passaram muito rápido, e nos deixaram com vontade de voltar. Ao mesmo tempo, estávamos com saudades de casa e ficamos felizes quando chegamos (especialmente depois do caos da companhia aérea atrasando vôos e dos trens em Munique atrasados por causa de um acidente, mas essa parte a gente quase pula).

E, de quebra… Comemoramos dois anos do nosso casamento alemão no nosso último dia na cidade. Mas o jantar, esse a gente curtiu em casa mesmo…