Dicionário: Lampenfieber

Lampen = luz. Fieber = febre.

Eu não sei porque a junção das duas palavras – Lampenfieber – tem esse sentido de medo de público. Como alguém que está prestes a entrar em um palco para se apresentar diante de uma plateia e, enquanto aguarda nas coxias, vive esse sentimento de expectativa antes da cortina se abrir.

Lampenfieber, dizem, pode ter efeitos positivos ou negativos. Podem impulsionar alguém a usar a adrenalina de determinado momento a seu favor, ou fazer com que a pessoa fique paralizada enquando a sensação se desenvolve dentro dela, transformando-se em medo.

Lampenfieber pode ter até efeitos psicológicos sérios, como crises de pânico.

Entretando, à parte das definições mais concretas, ouvi a expressão de uma amiga em sentido mais, digamos, metafórico e amplo. Você sente Lampenfieber quando alguma coisa importante vai acontecer. Quando você está esperando algo de bom há muito tempo, e a hora disso acontecer se aproxima. Noivas sentem Lampenfieber na véspera do casamento. Um misto de alegria, euforia, e – porque não? – até um certo pânico. Alguém que aguarda a resposta a respeito de uma vaga de emprego também.

A expectativa antes de uma viagem planejada também pode causar Lampenfieber. E as grávidas? Passam nove meses nas coxias do teatro, não é?

Concluí que Lampenfieber é o sentimento que temos diante de situações de mudança iminente, seja ela grande ou pequena, e que exige de você uma decisão para determinar o que exatamente essa mudança vai ser e para onde ela vai levar você. É o momento logo anterior ao nome que você vai escolher para o que está prestes a viver: será risco ou oportunidade? Se o que você vê é uma oportunidade, Lampenfieber será o motor que vai impulsionar você para frente. Se você vê um risco, Lampenfieber vai se transformar em medo. Que, por sua vez, é um sentimento normal (ouvi isso de uma médica quando tive uma crise certa vez), parte do mecanismo de autodefesa humano diante de situações que ele considera ameaçadoras. A arte está em saber administrá-lo.

Diante de uma oportunidade, vá atrás dela. Diante de um risco, calcule, contorne, reaja, siga o “Plano B” (sempre procure ter um em mente!). O medo é normal, mas caso não consiga reagir porque ele o paralisou, procure ajuda.

Reações a situações adversas não devem ser adiadas, por nenhum motivo. Se você adia, o seu corpo vai cobrar de você em algum momento. Literalmente.

Em outras palavras, se você sente Lampenfieber, é porque a situação representa alguma necessidade, vontade ou até certeza de mudança. De encarar um desafio novo, ou sair de uma zona de insatisfação qualquer. Eventualmente a sensação pode ser mais forte se você estiver sob pressão, o famigerado stress. Diante disso, torna-se fundamental aprender a diferenciar perseverança de teimosia. É preciso saber reconhecer o momento de sair de cena. “Dar murro em ponta de faca” pode sangrar.

E para tudo isso não há fórmulas. Apenas a constante e crescente capacidade de instrospecção. Eu olho para mim, eu me conheço e reconheço, eu releio minhas próprias histórias em terceira pessoa e tenho um novo ângulo. Sento-me em uma cadeira na plateia e me vejo no palco. Mas antes eu vou às coxias, e depois ao camarim, e procuro ver além.

Porque, no fundo, a base do que acontece no palco da vida está mesmo nos bastidores.

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