Nova lei alemã facilita validação de diploma estrangeiro

Uma boa notícia para quem mora na Alemanha ou pretende morar aqui. Foi aprovada uma nova lei de validação de diplomas estrangeiros.

A reportagem completa a respeito do tema você lê clicando aqui.

Outro link útil para consulta é o site da Anabin. Nele você pode checar o reconhecimento da universidade onde você estudou segundo três critérios básicos: H-, H e H+, sendo H+ o melhor critério.

O assunto será abordado novamente neste blog.

Update:

A Eve escreveu nos comentários mais este link para informações sobre reconhecimento de diplomas de forma mais precisa:

http://www.kmk.org/zab/zeugnisbewertungen.html

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Família

Relacionamento tem fases. Uma é marcada pela paixão, outra pela conquista da confiança, outra pela construção de planos a dois, e tantas outras que cada casal sabe e vive.

Nós mudamos a ordem de algumas dessas fases. Pulamos a tal da construção da confiança, porque ela já tinha acontecido na nossa amizade de infância. Passamos por paixão avassaladora, que agora… bem, ela continua avassaladora, mas é meio diferente. Mais calma, acho.

Agora não tem mais aquela coisa que querer cada segundo a sós, porque já temos muitos segundos a sós. E nos alegramos muito com visitas, com amigos, com ambiente familiar.

Eu me lembro da cerimônia do minicasamento em Berlim. A mensagem era exatamente essa: não viver numa redoma, mas unir-se também aos nossos respectivos amigos e familiares.

Por isso nossas últimas visitas nesse nosso início de vida a dois foram tão importantes, pois trouxeram um pouco da nossa família para cá. Minha irmã, minhas sobrinhas, amigos… as outras sobrinhas que passaram a semana passada aqui. Sentimos uma tristeza quando elas se foram. Mas ao mesmo tempo aquela coisa boa de saber que, mesmo morando longe, há pessoas que nos fazem lembrar que distância é um conceito relativo. Há pessoas que vivem distantes, embora debaixo do mesmo teto. E tem essas pessoas, que, mesmo geograficamente distantes, se fazem presentes como irmãos.

É claro que sempre soubemos disso. Já não somos adolescentes deslumbrados com a vida, vendo as coisas de maneira romanceada e utópica. Mas vivenciar esse convívio familiar juntos, depois de termos passado anos vivendo nosso amor à distância, faz as coisas serem sentidas de uma forma diferente. Como se finalmente o “nosso” fizesse mais sentido, de forma real e prática. A nossa casa, o nosso tempo, os nossos planos, os nossos passeios…

Enfim… deu pra entender?

O mundo compactado em uma sala

Hoje Jane observou um fato curioso: eu me refiro aos colegas do curso de alemão mencionando suas nacionalidades, e não seus nomes!

E não tenho dúvidas que assim o faço devido à grande novidade que é para mim ter uma convivência diária (ainda que sem nenhuma intimidade e por tempo limitado) com pessoas de tantos países diferentes. Só para se ter uma ideia, citando apenas os que me lembro agora, o curso é frequentado por um australiano, um malaio, um espanhol, um guatemalteco, uma sul-coreana, duas ou três japonesas, uma neo-zelandesa, duas americanas, um canadense, um sírio, uma palestina, um sérvio, um tunisiano, duas gregas, uma turca, um búlgaro, um polonês, uma sul-africana, uma saudita, uma húngara, uma italiana e um outro brasileiro além de mim. E isso tudo só nos poucos metros quadrados ocupados pela turma em que estou. Porque jogando futebol eu já conheci também um suíço, um iraniano, um panamenho, um indiano, um russo e mais alguns que nem mesmo sei de onde vieram.

Ter contato com pessoas de tantos países atiça minha curiosidade sobre o que cada um tem a dizer sobre o seu país, sua cultura, e também sobre suas impressões da Alemanha. Há de ser considerado também o fato de que sempre fui afixionado por geografia, em especial por denominações de nacionalidade, bandeiras, localização, capitais, história e características geográficas e culturais mais marcantes de todos os países do mundo, a ponto de decorar essas informações a respeito de dezenas e mais dezenas deles. Juntem uma coisa com a outro e pronto: me sinto como num parque de diversões!

A empolgação só não é maior porque o nível de conversação ainda é baixo, o que inviabiliza conversas aprofundadas como, por exemplo, a respeito de política mundial, diferenças culturais ou vida profissional. Mas mesmo assim há uma tendência comum de tentar se comunicar com mais profundidade, e na língua que estamos ali para aprender, ou seja, o alemão. Ainda que seja possível se entender em outra língua. Exemplo disso é que eu, o espanhol e o guatemalteco podemos nos entender razoavelmente bem falando espanhol e português, mas ainda assim nós só travamos conversas em alemão (ok, quando surge alguma dúvida a gente recorre às nossas “Muttersprachen”, mas só para esclarecer uma palavra ou outra). O canadense é outro que, por ser filho de um português e saber falar a nossa língua, poderia se comunicar comigo nela, mas ambos nos inclinamos de forma espontânea a conversar sempre em alemão.

Estão vendo? Aqui estou novamente me referindo aos colegas de curso não por seus nomes, e sim pelas suas nacionalidades! Parece até que vejo a bandeira do país de cada um deles colada em suas respectivas testas. Que assim seja! E tomara que eu tenha a oportunidade de conhecer outros países diferentes… quer dizer… outras pessoas de países diferentes!

Alpes III: Höllentalklamm

Dicionário:

Hölle: Inferno
Tal: Vale
Klamm: talvez seja uma fenda em uma rocha, mas, segundo a definição do Wikipedia alemão, Klamm também é preenchido pela água de um rio, geralmente em forma de cachoeira.

Porque cargas d’água esse lugar maravilhoso chamado Höllentalklamm assim se chama eu não tenho ideia. Fato é que a trilha do Höllental (com o Höllentalklamm no caminho) é uma das coisas mais lindas que já vimos, um dos caminhos mais bonitos que percorremos.

Esta trilha se tornou uma das nossas favoritas até agora, apesar de não termos alcançado nenhum cume a partir dela. Fato possível para escaladores ou pessoas mais em forma e com mais tempo, tanto sentido Alpspitze, quando no sentido Zugspitze. Nossa expedição parou na paisagem da foto acima.

O caminho segue beirando um rio de águas correntes e cristalinas no meio da floresta. Subir a montanha depois de cerca de uma hora de caminhada é acompanhar este rio até a sua nascende, passando por falésias com diversas cascatas. A paisagem é de natureza linda, e oferece ainda pontos com panoramas de tirar o fôlego.

Nós seguimos o vale até uma base ao pé da montanha, de onde sai a trilha sentido Zugspitze (o da foto acima) e, de lá, pegamos uma trilha em direção a um dos bondes para descer. Caso você não esteja em forma, eu não recomendo fazer isso. Há um trecho de subida íngreme nessa trilha que, depois de cerca de três horas de subida pelo vale, pode levar você a crises de falta de ar, sensação de que suas pernas não mais o obedecem, suor (frio ou quente, tanto faz) e vertigens, e uma crescente obcessão por caminhos retos ou de descida. Eles chegam em algum momento.O caminho vale a pena, é belo, mas não é fácil. Na dúvida, desça pelo mesmo caminho por onde subiu.

Para entrar na Klamm, há um ponto de parada onde cobra-se uma entrada no valor de três euros.

É importante pensar em duas coisas antes de subir: sapatos de trilha impermeáveis e casaco de chuva. Há várias cascatas no caminho, algumas grutas e, eventualmente, a trilha fica molhada, com poças e ainda sobram umas gotas pro caminhante. Às vezes muitas. Em dia de calor intenso isso não é problema, mas em dia de frio, sim.

Para chegar:

Saindo de Munique, é só pegar o mesmo trem sentido Mittenwald e saltar em Garmisch-Patenkirchen. O trem sai de hora em hora.

Chegando em Garmisch, há um trem que vai direto até o Zugspitze. Caso você tenha o Bayern Ticket (aquele que custa 29 Euros para circular por toda a Baviera, válido para um grupo de até cinco pessoas), basta apresentá-lo no balcão de informações e receber o ticket do trenzinho. Para a trilha do Höllentalklamm, é preciso saltar em Hammersbach. De lá é só seguir as placas.

O site Höllentalklamm (http://www.hoellentalklamm-info.de) tem mais informações a respeito, além de fotos. Eu sei, está tudo em alemão, mas clicando em Bildergalerie é possível ver mais fotos, além das deste post.

Fotos: arquivo pessoal

Oktoberfest: impressões e algumas fotos

Este ano marcamos presença na Oktoberfest por seis vezes. Seis.

Começamos com a visita da minha irmã, sobrinha e marido da sobrinha (é, a idade da sobrinha quase bate com a minha, longa história). Fomos duas vezes. A dobradinha justifica-se por duas tentativas (frustradas) de entrar em uma das tendas. Para fazer daquelas coisas de subir nos bancos, cantar, dançar e brindar com o pessoal animado lá de dentro. Sexta-feira foi impossível, eram praticamente todas as tendas com portas fechadas por causa da lotação. Apenas uma estava aberta, mas sem lugares do lado de dentro. Graças a muita paciência, lábia do marido da sobrinha e a uma garçonete simpática, conseguimos lugar em uma das mesas do lado de fora para comer nosso Spätzle, Schweinebraten e nosso Gulasch. Com cerveja, obviamente. No sábado tentamos de novo, chegando cedo, sem sucesso. Passeamos pelo lado de fora mesmo e depois fomos sassaricar pela cidade, já que só tinhamos um dia para isso.

Na terceira vez foi com nosso segundo amigo visitante. Foi tranquilo, dia de semana, e conseguimos lugar em uma tenda menor para jantar. Menor, mas não menos animada. Deu pra comer e depois subir nos bancos pra cantar, dançar e brindar.

Nosso amigo visitante nos acompanhou também na nossa quarta vez na Oktoberfest, com o pessoal da empresa. Foi mais tranquilo, no sentido de termos poupado a árdua tarefa de disputar uma mesa no interior da tenda da Löwenbräu, uma das mais animadas (e mais lotadas), já que a empresa tinha feito reserva. Mas passou longe de ser tranquilo. Claro, foi muito mais divertido do que qualquer coisa, mas tem sempre um ou outro inconveniente provocado por gente que não sabe beber. No caso, uma inglesinha divertia-se guardando um terço da cerveja na caneca para jogar nas pessoas. Depois de provocar o terceiro banho de cerveja em quem não tinha o menor interesse neste tipo de banho, ela foi retirada do local por um amigo e não voltou mais. De resto, tudo é festa quando se tem disposição.

A quinta vez foi a descoberta do Oide Wiesn, descrito no post anterior. Ah, que sossego, em comparação com as demais tendas! Claro, é cheio, mas é transitável e tem um clima mais familiar, ao contrário daquela coisa de azaração, bagunça e afins das demais tendas. O ambiente também é nostálgico, já que ali tudo imita o passado. Inclusive as canecas. Nós fomos  lá com amigos que nos visitaram, e encontramos com com nossos melhores amigos.

Voltamos lá ainda uma última vez, no último dia, com nossos melhores amigos. Também ficamos no Oide Wiesn, embora desta vez tenha sido mais difícil conseguir lugar. Também aproveitamos para ir a alguns brinquedos que ainda não tínhamos ido. Divertido, devo dizer.

Saldo final da Oktoberfest: tem festa para todos. De crianças a adultos, de solteiros a casados, para quem quer comer e para quem quer (infelizmente, devo dizer) apenas encher a cara. Você sempre vai encontrar a sua forma de se divertir por lá.

Mas vale fazer dois lembretes, já citados anteriormente:

  1. São cerca de seis milhões de visitantes por ano. Portanto vale a pena se planejar para tirar o melhor proveito, evitar filas e, caso seja de seu interesse festejar em uma das tendas, conseguir lugar.
  2. A cerveja é servida em canecos de um litro, e é de uma safra especial com teor alcóolico mais forte do que o normal. Eu como destesto excessos e detesto mais ainda a ressaca que ela pode causar no dia seguinte, ressalto aqui a importância de se alimentar bem e beber bastante água, repor sais e glicose entre uma cerveja e outra. Também é fundamental respeitar o próprio limite. Assim a brincadeira rende de forma saudável.

Abaixo algumas fotos misturadas, dos cinco dias. Ou talvez de dois, ou de três. São do nosso arquivo pessoal, algumas nossas, outras de amigos. O Daniel, que nos visitou e estava conosco na quinta vez em que fomos lá, tirou algumas das muitas que postei abaixo em um dia de céu azul que fez as fotos parecerem pinturas!

Tenda Tradition, no Oide Wiesn:



Oide Wiesn:

Tenda Löwenbräu:

A festa fora das tendas:

Oide Wiesn de novo:

Panorama da roda gigante (eu disse que fica cheio)
Os grandes telhados são as tendas:

Tenda Tradition, no Oide Wiesn:
Canecas de um litro de cerveja em uma das mãos, outras bebidas na outra

Breze, pra completar o duo Bier & Brot (cerveja e pão):

P.S. tem mais um relato da Oktoberfest do ano passado clicando aqui. Nele tem explicações sobre os trajes típicos do sul da Alemanha, e que todo bávaro que se preze tira do armário no mínimo uma vez por ano: na Oktoberfest.

Oktoberfest (Dicionário: Zelt)

E lá se foi a Oktoberfest! Perceberam que nós sumimos? Pois é, teve a ver com isso. E também com uma rodada de visitantes, já que a casa virou pensão no período. Aliás, visitas que muito nos fizeram felizes, por sinal.

Mas, falando em Oktoberfest, resolvi postar aqui algumas dicas preciosas para quem quer participar de uma das maiores festas populares do mundo no ano que vem.

Começando por algumas informações a respeito do que se trata afinal a Oktoberfest. A festa começou na verdade como uma corrida de cavalos em homenagem ao casamento do Kaiser com a princesa Teresa. Isso mesmo, não tinha nada a ver com cerveja. E o local onde a festa é realizada tem o nome que tem – Teresienwiese – em homenagem à tal princesa.

Mas isso já faz pra lá de duzentos anos. Com o tempo as coisas mudaram e hoje a festa tem parque de diversões mil, barracas de comes e bebes, brinquedos para as crianças e, claro, as famigeradas Zelten.

Zelt significa tenda, ou barraca. Na Oktoberfest, Festzelt é uma tenda onde acontece a festa. Uma banda toca música alemã, come-se e bebe-se muito e pessoas sobem nos bancos para cantar, dançar e brindar.

As tendas mais badaladas são as das cervejarias mais badaladas. Aliás, as cervejarias produzem uma safra de cerveja especial para a Oktoberfest, com teor alcoólico mais alto. Portanto, ao se acabar com a sua Maß (o caneco de um litro, padrão da festa), intercale com água, muita água, e alimente-se bem se não quiser ser carregado para casa e acordar com uma ressaca mortal no dia seguinte.

Quando ir?

Em termos práticos, a Oktoberfest enche todos os dias. A diferença está entre dias transitáveis e dias intransitáveis. Mas há alguns horários onde as chances de conseguir uma mesa para sentar são sensivelmente maiores, caso você não tenha reserva:

  • Em geral, antes das 15:30h. A partir desse horário, a grande maioria das mesas estão reservadas, algumas delas há meses, e poucas ficam disponíveis para os que não reservaram.
  • Chegar cedo não funciona necessariamente. Há os festeiros que gostam de tomar café da manhá nas tendas – a tradicional salsicha branca com cerveja, por exemplo – e, portanto, tudo enche. Chegue em horários pouco óbvios. Evite o horário do café ou do almoço, por exemplo.
  • Vá durante a semana
  • Evite o primeiro e o segundo fins de semana. São os fins de semana com maior movimento de turistas, especialmente de italianos. O último fim de semana costuma receber menos gente.

Se você estiver na cidade em um sábado ou domingo do primeir ou segundo fins de semana, e quiser festa nas tendas, esqueça. Elas nem abrem as portas por causa da lotação. Vá para os brinquedos do parque, drible transeuntes pelas vias, compre amêndoas açucaradas para comer e coisas do gênero.

Oide Wiesn

É a melhor opção para quem quer um ambiente mais tranquilo (ou menos agitado). O Oide Wiesn é uma parte da Oktoberfest mais reservada, onde toda a ambientação é feita da forma como a festa era realizada há anos atrás. Uma coisa meio nostálgica e também mais familiar. Paga-se uma entrada (3 Euros) que vale a pena.

Reservas

As reservas para as tendas começam a ser feitas já no início do ano. O que não significa que não seja possível conseguir uma quando a data já está mais próxima da festa. Elas custam cerca de 30 Euros, dependento da tenda, e precisam ser feitas por escrito. Vale a pena checar o site da Oktoberfest (http://oktoberfest.de). Lá há informações a respeito e a lista das tendas. Eu este ano fui na Löwenbräu (com reserva da empresa), entrei na Hofbräu, mas são todas animadas. Na Tradition, que fica no Oide Wiesn, fui sem reserva. Difícil, mas viável. Era último dia de Oktoberfest.

Eu posto depois umas fotos e outras informações que achar relevantes nos próximos dias, pra tirar a teia de aranha aqui do blog.

 

Os Alpes II: como conhecer uma banda muniquense

Faltou contar um causo no último post, aquele ali que conta sobre os Alpes.

Estávamos lá admirando a vista do alto das montanhas, quando nos surpreendemos com uma banda gravando um videoclipe no mirante. A música era boa, os rapazes pareciam famosos. Mas eu não sabia de quem se tratava, nunca tinha visto mais gordos.

Lá no trabalho tem um mocinho afeito ao estilo dos rapazes. Ele conhece a banda, gosta muito e viu o tal videoclipe recentemente na rede. Como eu tinha comentado com ele sobre o meu testemunho nas montanhas na ocasião, ele juntou as peças e me passou o link do resultado. Por sinal, um ótimo resultado, e alcançado em prazo surpreendente, coisa de menos de dez dias entre gravação e lançamento nacional por aqui, que ocorreu no dia treze deste mês, se não me engano.

Para ir direto ao que interessa: a banda se chama Emil Bulls, os rapazes são de Munique, fazem um estilo metal com algum tempero pop e estão na estrada desde 1995. Um sucesso nacional por aqui!

E o video? É o carro-chefe do lançamento do novo álbum deles. Ah, e ficou demais! Terminei de assistir e fiquei morrendo de vontade de voltar lá pra fazer umas caminhadas!

Então, para conferir o som da banda, o super vídeo e essas paisagens lindas deste pedacinho da Baviera que considero um paraíso na Terra, apertem o “play”:

p.s. eu sei, eles cantam em Inglês, mas acreditem: são de Munique mesmo.

Os Alpes

Eu amei morar em Berlim. De verdade. Fui mega feliz lá. Mas, confesso, sempre comentei que sentia falta de montanhas. A região inteira é plana sem fim!

Dito isso, não é difícil imaginar qual é uma das minhas grandes paixões aqui na Baviera: os Alpes. Aqueles mesmos, que muitos associam a lindas imagens com neve e a estações de esqui, oferecem paisagens que poderiam virar pinturas também nas demais estações do ano.

Durante nossas férias em Balkonia, passamos um dia por lá. A região oferece inúmeras possibilidades, entre passeios de trem e bondinho, caminhadas leves ou mem tanto, até escaladas de todos os níveis para os mais radicais. De Munique para lá, leva-se aproximadamente uma hora de carro ou uma hora e vinte de trem. Este post explica alguns detalhes sobre o que se pode fazer por lá no verão.

Informações gerais:

Para chegar aos pés dos Alpes do lado bávaro, deve-se seguir até uma estação chamada Garmisch-Patenkirchen. Há trens saindo de Munique de hora em hora até lá, onde deve-se pegar um segundo trem até o destino desejado nos pés das montanhas (falo sobre eles mais à frente), e o percurso demora cerca de uma hora e meia. De carro leva-se cerca de uma hora, em uma das estradas mais lindas que já vi na vida. E o estacionamento na base do teleférico é gratuito.

O pico mais alto da Alemanha se chama Zugspitze, com 2962 metros de altitude, localizado na fronteira com a Áustria. Na mesma região encontra-se o Alpspitze, com 2628 metros e também considerado um dos mais altos da Alemanha. Ambos são os principaos picos da região. Entre o Zugspitze e o Alpspitze existe uma espécie de “platô inclinado”, enorme, que se torna uma grande área para esqui no inverno. O mesmo acontece na base do Alpspitze. Há ainda inúmeros outros picos e vales na região. No verão, muitas possibilidades de trilhas e rotas de escalada.

Eu vou falar bastante nestes dois picos ao longo deste texto, portanto já pode guardar estes nomes desde já: o Zugspitze é o pico mais alto da Alemanha, seu vizinho Alspitze é só um pouco menos alto. Gravaram? De novo: Zugspitze é o mais alto, Alpspitze logo ali e menos alto.

Para pouco afeitos a esporte

Não está em forma? Não tem paciência para longas caminhadas? Escalar não é com você? Não tem problema! Ao Zugspitze você pode subir direto de Zahnradbahn. Trata-se de um trem que leva você direto até o topo da Alemanha, com direito a trecho inclinado montanha acima.

Ainda praqueles lados, você pode subir de teleférico – o Eibsee Seilbahn – até o Eibsee, um lago no meio da subida, a 973 metros de altitude. Para o Alpspitze, suba de teleférico para a estação Alpspitzbahn.

Há ainda outras opções de teleféricos, mas estas são as principais opções. Entretanto, vale ressaltar que o teleférico do Alpspitze, ao contrário do trem que leva você até o topo o Zugspitze, não leva você até o topo do Alpspitze, e sim a uma base. Para subir ao topo é preciso seguir uma das trilhas de caminhada ou rotas de escalada.

Em todos os destinos citados acima você encontra a famigerada infraestrutura. Banheiros, um restaurante, um mirante e coisas do gênero. Os teleféricos e o Zahnradbahn são, portanto, boas opções para quem quer subir, curtir a vista e o ar das montanhas e tomar uma boa cerveja bávara. O Eibsee, assim como a maioria  (ou talvez todos) dos lagos da região, é de águas limpinhas e muito apropriadas ao banho.

Eibsee. Foto: Seen.de

Para os caminhantes

Há trilhas de diversos níveis de dificuldade na região. Falei acima de trens e teleféricos, mas se você tiver tempo e boa forma, pode subir da base ao Zugspitze a pé. Porém, para tal empreitada, é preciso planejamento, eventualmente acampamento (no Eibsee há alguns campings) e, de preferência, subir no alto verão, quando o sol cai às 22 horas.

Você também pode optar por trilhas médias, como fizemos. Nós subimos de teleférico até a estação de Alpspitze e caminhamos por uma trilha até a estação de Kreuzeck, percurso que durou cerca de duas horas, em descida a maior parte do tempo. Há caminhadas mais pesadas, caminhadas combinadas com escaladas, entre estações ou até o topo de algum dos picos.

Em todos os casos, é altamente recomendável chegar o mais cedo possível ao local. Mais cedo mesmo, saia de Munique às seis da manhã, por exemplo. As estações dos teleféricos tem mapas das trilhas disponíveis em diversos idiomas, gratuitamente, com descrições e informações como nível de dificuldade e tempo necessário.  Há ainda um painel em diversos lugares na base com informações sobre as trilhas. É importante também checar esses paineis ao chegar, pois eles também informam que trilhas estão abertas ou não.

Em nossa próxima ida aos Alpes, queremos fazer a trilha do Höllentalklamm, que passa por dentro de uma floresta, com direito a paisagens lindas e pequenas cachoeiras, seguindo pelo vale que leva à base do Zugspitze. Não pretendemos subir a partir daí, mas quem escala e “se garante” pode seguir parede acima até o cume. Faremos isso quando estivermos em forma na escalada!

Para escaladores

Eu estou fora de forma quando o assunto é escalada. Mas já escalei por lá no verão de 2008. Há os chamados Klettergarten, ou parques de escalada, com diversas rotas de diferentes níveis de dificuldade. Eu escalei no Klettergarten do Alpspitze, na época eu escalava rotas de nível intermediário a avançado. Não me garanti para um cume, e nem tinha disponível o tempo que tais rotas exigem. Mas me diverti um bocado por um longo dia.

Como mencionei acima, há uma rota a partir do vale Höllentalklamm que vai até o Zugspitze, além de uma que vai da estação do Alpspitze até o cume de mesmo nome (Alspitze Ferrata). Certamente há ainda muitas outras opções, mas essas foram as que me deram mais vontade de subir. Encontrei algumas informações sobre essas duas rotas aqui e aqui (em inglês). É possível contratar guias para elas, com equipamento incluido no preço, mas adianto que os valores são salgados. E eu infelizmente perdi os folhetos que peguei lá com informações a respeito.

Para todo mundo

A melhor fonte de informações para todo mundo antes de subir é o site do Zuspitze (http://zugspitze.de). Tem informações sobre trilhas, previsão do tempo, fotos da webcam em tempo real, preços e informações sobre os trens e teleféricos e todas as informações mínimas necessárias antes de subir.

Os preços dos teleféricos são meio salgados: 24 Euros por pessoa no pacote padrão para subir e descer. O ideal para economizar é planejar o que vai fazer com antecedência e ir em grupo. Há algumas opções de tickets-família, vale a pena conferir no mesmo link que citei acima.

Se quiserem arriscar uma trilha no inverno, ou mesmo no outono, preparem-se muito bem para o frio. Calçados de trilha e agasalhos adequados são obrigatórios. Vale lembrar que nem todas as trilhas permanecem liberadas nestas épocas do ano.

Para quem vai de trem, saindo de Munique: aproveitem o Bayern ticket! Ele vale para um grupo de até cinco pessoas para quantas viagens você quiser dentro da Baviera, pela bagatela de 29 euros. De segunda a sexta o horário de validade dele é de 9 da manhã até 6 da manhã do dia seguinte. Em fins de semana ele já começa a valer a partir de 6 horas da manhã, se não me engano. A dica vale para qualquer passeio dentro da Baviera. Informações sobre horários de trem no site da Bahn, clicando aqui. Ou diretamente na estação de trem, a Hauptbahnhof.

No mais, digo a vocês: as paisagens por lá são verdadeiras pinturas em qualquer época do ano.

ps. as fotos sem legenda são do nosso arquivo pessoal.

 

Um sinal

Antes de contar sobre os caminhos da Baviera que percorremos nessas férias em Balkonia, tenho um fato curioso para contar.

A árvore que inspira o nome deste blog, infelizmente, não resistiu à mudança para Munique. Era uma noite fria de inverno, com temperaturas abissais, e árvores desta espécie costumam ser sensíveis demais a mudanças bruscas. Ela até chegou bem em casa, mas com o passar das semanas, as folhas amarelaram, caíram e a árvore secou. Para nossa tristeza. Tinha ela um enorme significado para nós (cliquem aqui para saber mais a respeito dela, e também aqui).

Nós mantivemos a árvore – ou o que restou dela – no vaso mesmo assim. Não sabíamos o que fazer dela. Se jogaríamos fora e compraríamos outra, ou se deixaríamos ali, sequinha mesmo, já que o simbolismo dela é tão importante para nós. Passaram-se meses, a terra secou totalmente e podamos o excesso de galhos secos. Deixamos para decidir o que fazer com ela quando Rafa chegasse para ficar, definitivamente e sem mais despedidas.

Ela ficou assim:

Pois o Rafa finalmente chegou e agora não volta mais ao Brasil, a não ser para visitar. Ou se, porventura, algum dia decidirmos voltar juntos.

Um dia antes dele chegar, dei aquela arrumada especial na casa. Fazia uns dois dias que eu não verificava as plantas. Limpava eu a sala quando algo diferente me chamou a atenção, no canto da sala, dentro do vaso da nossa árvore:

Pois é. Uma ávore nova começou a crescer nesta terra seca, junto da árvore anterior, dada como perdida, na véspera da chegada definitiva do Rafa.

Se isso não for um sinal, eu não sei mais o que pode ser.

Em tempo: esta foto foi tirada há duas semanas. Ela já está cerca de dez centímetros maior do que isso.

Fotos: arquivo pessoal

Dicionário: Balkonia

Balkonia, também conhecida como Balkonien, é um destino muito bonito e aconchegante para férias a baixo custo. A estadia não traz custos adicionais, e oferece conforto, intimidade, privacidade e um clima totalmente agradável para que o hóspede se sinta literalmente em casa.

Balkonia vem da palavra Balkon, que significa varanda. Mais perto de casa impossível, o que também diminui custos com passagens.

Balkonia foi o destino das nossas férias este ano. Sim, estamos passando as férias “em casa”. Assim, entre aspas, já que, claro, não passamos o tempo todo em casa. Em casa é basicamente o pernoite. Há muito a se conhecer desta cidade bonita chamada Munique, sem falar nos arredores. Foi uma decisão, a princípio, para conter custos diante de outras prioridades, mas que se tornou uma super agradável oportunidade de explorar o que temos por perto de nós.

Já fizemos trilha nos Alpes, e aproveitamos bastante os dias de sol às margens do Rio Isar. Aliás, com este rio por aqui, não sentiremos falta de praia! E eu, que por um momento quis os mares azuis da Grécia por alguns dos dias das nossas férias, já até abstraí! Águas cristalinhas, geladinhas e refrescantes, clima tranquilo, frequentadores educados, as praias do Isar são o que há de melhor no verão muniquense, acreditem!

Mas, como ainda estamos de férias, vamos poupar os detalhes e aproveitar o nosso tempo por aí. Em breve contamos mais sobre a cidade, as redondezas que explorarmos, mostramos umas fotos e deixamos as dicas.

Inté.