Havia uma Lisboa no meio do caminho

Às vésperas de eu e Jane completarmos um ano do casamento realizado aqui no Brasil, nós decidimos que era OBRIGAÇÃO comemorarmos juntos essa data. Problema: ela não pode tirar férias ainda, eu não tenho mais férias para tirar esse ano, e ainda não posso ir definitivamente para a Alemanha. O que fazer?

Sem abrir mão de passar essa data com ela, fiz alguns cálculos de cá, outros de lá, fiz malabarismo com algumas horas extras, reservei passagem na cara e na coragem, acabei acertando com a chefia de faltar alguns dias compensando depois e… pronto: lá fui eu passar onze dias com a minha gatinha, neles incluído o nosso dia tão importante de comemoração das bodas de papel!

Sobre esse dia de comemoração ela deverá falar em breve, nas anunciadas dicas de Salzburg.

Este post resolvi escrever para falar de Lisboa, pois na passagem comprada estava incluída uma conexão de mais ou menos 7 horas na capital lusitana e, acreditem, é tempo suficiente para dar umas boas voltas pela cidade.

Lisboa, pelo que me pareceu, é bem simples e descomplicada em termos de locomoção. O aeroporto não é longe do centro, e de lá até a cidade baixa (centro histórico) leva-se não mais do que 20 minutos. De ônibus! Em dia útil! Para voltar gasta-se o mesmo tempo.

Detalhe é que o sistema de transporte público viário é rigorosamente igual ao alemão, com ônibus de conforto semelhante, placas nos pontos informando os horários e tempo de deslocamento entre os pontos, muitos com painel eletrônico indicando o tempo que falta para cada linha passar ali, etc. Mas com duas vantagens: o preço unitário da passagem é mais barato e – essa vantagem é particularmente para os brasileiros – todas as informações são em português (rs).

Pavilhão português fazendo suas honras no topo do Parque Eduardo VII.

Eu peguei um informativo e um mapa gratuitos no balcão de informações turísticas do aeroporto, deixei minha mochila pesada no guarda-volumes, coloquei a câmera, carteira e passaporte nos bolsos e parti para a cidade. Entrei no ônibus de número 44 (Moscavides – Cais do Sodré) e desci na Praça Marquês de Pombal, que fica em frente ao Parque Eduardo VII, onde existe um mastro com uma enorme bandeira de Portugal flamulando no topo. Muito agradável andar pelo parque na bela manhã de céu de brigadeiro com a qual fui presenteado. Não subi até onde fica o mastro. Fui até a metade e voltei, descendo a pé a inclinada Av. Liberdade, uma alameda com sombras muito gostosas que liga o monumento ao Marquês de Pombal ao monumento aos Restauradores da Independência (que devolveu a soberania de Portugal frente à Espanha em 1640).

Descendo mais um pouco passei pela Estação Rossio, cuja fachada é de um estilo antigo bem bonito e interessante, embora poluída por semáforos da rua em frente. Uma leve quebrada para a esquerda e cheguei à Praça D. Pedro IV, já na cidade baixa. Ali existem ruas estreitas e calçadões, que muito se assemelham às ruas do Rio antigo (Arco do Telles e arredores, por exemplo). Tais semelhanças deixam clara a influência que a arquitetura lisboeta exerceu sobre a do Rio de Janeiro.

Rua dos Sapateiros, entrada pelo Arco do Bandeira.

Da praça entrei pelo Arco do Bandeira, numa ruela chamada Rua dos Sapateiros, onde encontrei restaurantes que parecem típicos e baratos, sobre os quais nenhuma referência existe no informativo do aeroporto. Pelas outras ruelas, seguindo rumo ao Rio Tejo, deparei-me com o Elevador da Santa Justa (também chamado de Elevador do Carmo), que lembra muito o Elevador Lacerda existente em Salvador (novamente eu vi muito clara a natural influência de Lisboa sobre uma cidade brasileira). A vista de lá deve ser boa. Existia uma bicha na entrada, então não subi. Calma gente, isso não é homofobia manifesta! Lembrem-se, “bicha” em Portugal é fila (rsrsrs)! Brincadeiras à parte, eu tinha certa pressa e não quis pegar fila para subir num elevador. Também não verifiquei se a entrada era paga ou não, mas creio que deve ser. Continuei pela Rua Áurea (Rua do Ouro).

A Rua do Ouro leva até a Praça do Comércio, às margens do Tejo e em frente ao Ministério da Justiça e ao Supremo Tribunal Federal de Portugal, dois prédios separados pelo imponente Arco do Triunfo da Rua Augusta. A praça é espaçosa e rendeu boas fotos do arco, mas o Tejo me decepcionou, ao menos naquele ponto. O rio é grande e portentoso, mas suas águas são sujas, rendendo àquele ponto uma aparência feia e odor desagradável. Provavelmente existem outros pontos mais simpáticos do Tejo, que não tive a felicidade de ver.

Próximo dali fica o Castelo de São Jorge, que também não pude visitar em razão do tempo escasso. Mas acredito que valha muito subir lá. Terminei voltando pela Rua Augusta, bastante farta em comércio, onde comprei algumas lembranças. Deu uma vontade enorme de almoçar em algum daqueles restaurantes da Rua dos Sapateiros, mas ainda estavam fechados (10:50h), e não seria prudente esperá-los abrir. Voltei logo ao aeroporto, onde almocei assistindo, vejam só, à reprise de Vasco 1×0 Coritiba, primeiro jogo da final da Copa do Brasil, que acontecera na noite anterior e passava na SporTV portuguesa. Vasco… Portugal… é… tem tudo a ver mesmo! (rs). Aliás, parabéns aos vascaínos de plantão pelo título conquistado uma semana depois, após o jogo de volta no Paraná.

É… foi rápido mas extremamente gratificante conhecer um pouco de Lisboa. Mas já era hora de embarcar. Zu Hause!!! Endlich!!! 🙂

Arco do Triunfo da Rua Augusta.

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