Saindo da toca e combatendo o stress

E como o assunto da vez tem sido a fase de transição, penso que ela tem também as suas subfases. Já arrumamos a casa, já me sinto relativamente bem adaptada ao trabalho e, aos poucos, estou pensando em sair do circuito casa-trabalho-casa, que por sinal é um dos fatores que está me incomodando um pouco. Essa é a nova fase: criar a rotina de vida em Munique (que eu em alguns momentos certamente vou quebrar, mas isso é outra história).

Mas antes de falar deste incômodo, uma outra questão já me dava nos nervos: um mês em Munique e me vi totalmente desorientada quando fui ao cinema com amigas na semana passada. Não sabia para que lado estava a minha casa, a Sendlinger Tor ou a Marienplatz. E não tinha nada equivalente à Torre de Televisão da Alexanderplatz em Berlim para me servir de ponto de referência. Tenho andado apenas de ônibus e metrô, o que me faz ver as estações como ilhas entre as quais eu faço minha locomoção, sem no entanto estabelecer qualquer relação entre elas.

Pois no sábado isso mudou. Um dia ensolarado, uma temperatura “amena” e eu finalmente fui à cidade de bicicleta. Nada de medinho da ladeira acima, nada de tempo ruim, nada de pegar condução. E de repente… tudo fez sentido! As ilhas do metrô se conectaram! Gente, a Fraunhoferstraße é logo ali, paralela à rua que sigo para chegar ao trabalho! Parecia tão longe! Aliás, já sei quais as ruas que atravessam o Isar, conectei o Viktualien Markt com Sendlinger Tor e Marienplatz e descobri uma loja de móveis usados restaurados relativamente perto de casa. É, um alimento para minha fase decoradora não poderia faltar…

E o melhor: não sofri subindo pedalando ladeira acima quando voltei! Devagar e sempre, cheguei inteira ao topo do morrote sobre o qual moramos (e decidi que, aqui em Munique, garrafa de água é item indispensável para sair de bicicleta). Em um dia e já tive um ótimo começo em termos de orientação.

Não bastando isso, o simples fato de fazer atividade física me deu uma recarga de disposição e, consequentemente, um nocaute no stress. É, eu ando stressada. Muitas coisas aconteceram e minha mente tem a capacidade incrível de coordenar trinta e dois pensamentos ao mesmo tempo. Entretando, ao final do dia, ela está cansada e me deixa meio letárgica, sendo que eu ainda preciso dela pra fazer o site do meu amigo. O ar puro e a atividade física na bicicleta já colocaram a cabeça para prestar atenção em caminhos, cantos e referências, mudar a rotina e literalmente desanuviar. Uma verdadeira recarga e um combate não planejado a essa sensação de letargia constante que andava sentindo.

Um outro efeito desse stress mental eram meus momentos de oração, ou a tentativa deles. Um pensamento em conexão com Deus para orar e de repente os outros trinta e doze vinham disputar lugar com este e lá estava eu mentalmente intercalando o layout do módulo pro trabalho, o bug no site do meu amigo, o contrato da companhia elétrica que ainda não fiz, mais a atual questão da saúde da minha mãe e… tentava eu transformar tudo isso em oração, mas de repente lembrava da comida que tinha esquecido de guardar na geladeira. Levantava com medo de esquecê-la sobre a mesa até o dia seguinte e voltava sem saber onde tinha parado. Pois é.

De repente eu me deixei influenciar um pouco pelo livro “Comer, rezar e amar” que estou terminando de ler. Não, não tenho nada a ver com Yoga, religiões orientais, e coisas do gênero. Sou Cristã (e deixo meus comentários sobre o mencionado livro para outra ocasião). Mas de alguma forma essa ideia de meditação, concentração, até mesmo mantras deve funcionar como técnica para dar um descanso à mente. Lembrei-me dos exercícios de alongamento e concentração que fazia quando cantava no coral, antes dos ensaios. Eram quinze minutinhos redentores! Começávamos a cantar libertos da mente acelerada que trazíamos depois de um dia de trabalho!

Então um dia desses eu fiz essa experiência: sentei em qualquer posição parecida com a da Yoga, coluna ereta, pernas cruzadas. Fechei os olhos, alonguei um pouco os músculos, respirei fundo e procurei me concentrar nessa respiração. Depois comecei a repetir uns… bem… mantras? Eram frases e coisas que vinham à mente, no melhor estilo “tudo que for bom, seja isso que ocupe o seu pensamento”. Eu, nessa posição pseudo-yoga, repetindo mentalmente “Aba, Pai” ou “Jesus eu te amo” ou cantando alguma coisa boa e respirando fundo de tempos em tempos. Depois vinham nomes de pessoas e eu orava por elas. Depois as situações, e eu orava por elas. Também vinham os agradecimentos, e eu agradecia. Depois as pausas em silêncio e eu ouvia sons que normalmente meus trinta e trezentos pensamentos simultâneos não me deixam ouvir: o passarinhos cantando lá fora, o vento batendo a janela de leve, a criança rindo no parquinho em frente à janela, a voz interna (Cristãos chamam essa voz de Espírito Santo). Pois é. Os pensamentos vieram todos, mas um de cada vez. Ordenadamente, trabalho cada um, coloco diante de Deus e descanso. Essa pseudo-yoga misturada com oração tem funcionado! E eu caio no colo de Deus!

Minha mente já é naturalmente hiper ativa, mas ao menos agora estou colocando as coisas em ordem. Do lado prático da vida, estou retomando contatos conhecidos e fazendo novos. Hoje visitei uma amiga que fez a mesma faculdade que eu e atualmente mora aqui. Também fui à igreja, conheci três mocinhas muito bacanas, uma delas brasileira casada com um indiano naturalizado inglês (e você achando que sabe tudo de choque cultural, né?). Andei me informando sobre lugares para escalar e associações onde posso encontrar uma parceira de escalada enquanto o Rafa não vem. E comprei um guia de Munique!

Mas antes… preciso urgentemente resolver o contrato de energia elétrica!

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