Choque? Que choque?

Quando falava para os amigos em Berlim que vinha para Munique, não era difícil a reação ser de surpresa, do tipo: “Bavária? Tem certeza?”.

Eu já tinha vindo algumas vezes a Munique antes de me mudar para cá. Claro que você percebe diferenças, da mesma forma que existem diferenças entre Rio e São Paulo. Aliás, a rivalidade entre Berlim e Munique pode bem ser comparada com a rivalidade entre cariocas e paulistas. Mas, pelo menos por enquanto, não vivi nenhuma situação que possa chamar de choque cultural. Para todos os efeitos, são os mesmos alemães de sempre.

Entretanto, já dizem muito por aí que Berlim não é Alemanha, Berlim é Berlim. O mesmo vale para a Baviera. O bávaro não é alemão. Ele é bávaro. E falar alemão padrão para ele – ou Hochdeutsch –  é falar com sotaque bávaro, ou dialeto bavarês.

E falando em diferenças linguísticas, estou me familiarizando com o sotaque. No trabalho, ao contrário da torre de Babel em que trabalhei em Berlim, a grande maioria dos funcionários é daqui mesmo, da Baviera. O sotaque, quando leve, é simpático. E me lembra o sotaque vienense, que achei lindo quando ouvi por lá. Já o dialeto bavarês nem os alemães entendem! E não soa bonito. Mas o berlinês também não, embora mais fácil de entender. Todo sotaque carregado demais é caricato, penso eu. Em qualquer lugar do mundo. No caso do dialeto, especialmente o bavarês, a comunicação fica comprometida. Seriamente comprometida.

Dia desses precisei pedir para um colega repetir três vezes o que ele queria me dizer, e continuei sem entender. – Amigo, eu não sou bávara, essa não é minha língua materna, disse eu. Ele falou mais devagar, mas continuou falando bavarês! Desisti e acionei o a-ham automático.

Ainda sobre as diferenças, até agora são quase todas felizes. O sol brilha mais aqui do que em Berlim, e cai mais neve também. As pessoas são mais simpáticas, no geral. Isso inclui funcionários públicos. Nunca fui mal atendida em Berlim, mas devo dizer que me acostumei com o jeito direto e peculiar do berlinense, muitas vezes confundido com antipatia. O jeito direto do bávaro vem acompanhado de sorrisos e informações adicionais pelas quais você não perguntou, mas que são importantes mesmo assim. Detalhes assim fizeram uma sensível diferença.

Mas eu vejo as duas cidades como sempre vi: são diferentes, com suas respectivas peculiaridades. Digo sempre que Berlim tem um pulsar, uma energia que se sente no ar que você respira. Estou com saudades de lá, especialmente dos amigos que deixei. Mas é uma saudade boa, gostosa, daquela que lembra você do quanto valeu a pena cada um dos dias vividos por lá. Não é uma saudade dolorosa. Até porque, Berlim sempre estará lá.

Não houve choque para mim. Percebo apenas as mudanças e vejo-as como positivas.

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10 pensamentos sobre “Choque? Que choque?

  1. Ai gente, não me faz ficar com ciúmes de Munique, tá? Tô falando! rsrs
    Mas, que bom que está indo tudo bem por aí. Daqui a pouco vc já está falando bavarês. hehehe
    Bjs!

  2. Eu gostei muito de Munique! No geral, a cidade me agrada mais do que Berlim, mas não considero uma melhor ou pior que a outra. Como você disse, são apenas diferentes, cada uma ao seu estilo. E sinto que aproveitei muito pouco de Berlim… principalmente o convívio com os amigos de lá. Espero receber muitas visitas em Munique, bem como visitar muitas vezes Berlim, para compensar isso. 🙂

  3. Oii…que bom q está tudo bem por ai…tá aprendendo o nosso dialeto né?!rs…aqui se fala o franconio…famoso Fränkisch….fique feliz em ter q aprender o bávaro…rs…aqui é bem pior….rs…aliás está coisa de ser Alemao ou Baváro é verdade mesmo….rs…estive em München semana passada mas foi super rápido para resolver algumas pendencias no consulado, quem sabe na próxima vez nao nos encontramos para o café com bolo…beijokas e boa sorte para vcs…..

  4. Munique é realmente muito acolhedor, né? Passei apenas alguns dias aí (minha prima e sua família se mudaram para Munique há quase dois anos) e amei! Não falo um palavra de alemão, mas consegui me virar bem com a boa vontade e ajuda dos bávaros. Gostei muito! E a cidade é um charme, né?!
    Beijinhos e bom final de semana.
    Ah, adorei o blog novo! Parabéns! 🙂

  5. no comeco vimos mais o lado negativo: algumas pessoas eram bem arrogantes, e outras nao tem o jeito tipico alemao de pensar…eles tem grana e tudo se resolve com a quantia certa. Mas depois vieram todos os lados positivos: mais sol, mais neve, pessoas pra cima, biergarten, o jeito leve de se viver =) agora podemos dizer que nos acostumamos tanto por munique que seria dificil deixar a baviera novamente. bjs!

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