Adaptação

Pensei que sofreria no início. A saudade de Berlim, dos terrenos planos para pedalar, dos amigos queridos, da rotina fervilhante. Da Torre de TV e da vista da Catedral.

Eu sinto de fato uma saudade grande de tudo isso e mais um pouco. Mas a saudade é gostosa, não faz sofrer. Faz-me sentir feliz por ter vivido tudo aquilo e por saber que ela, Berlim, continua lá. E os amigos verdadeiros eu levo comigo.

Estou me sentindo em casa aqui. Como se já morasse em Munique há anos. Claro que eu percebo que não moro há tanto tempo assim aqui quando saio na rua e (ainda) não consigo me orientar direito. Os amigos ainda são poucos, mas os melhores. Os novos, ganho-os aos poucos, naturalmente e sem pressa. Tenho minha irmã do coração por perto e colegas de trabalho bacanas e considero isso um excelente começo.

Andei refletindo sobre essa transição. Mais do que uma mudança de cidade ou emprego, estou em mudança de fase. A vida de casada, a busca por um certo sossego. Que o fervor da cidade não me contagie pelo simples fato de sair na rua, mas que eu saiba onde encontrá-lo caso eu sinta falta. É, eu sempre gostei desse pulsar constante e forte de Berlim, reconheço um pouco do Rio de Janeiro nele, de respirar isso no ar. Ele existe aqui também, mas me parece menos evidente. É preciso buscá-lo. O que é bom neste momento. Um pouco como a carioca que quase não ia à praia mas gostava de saber que ela estava sempre lá, just in case.

Por aqui temos montanhas. Os Alpes são de tirar o fôlego e estão logo ali. São lindos sempre, em qualquer estação do ano! Para snowboard ou escalada, ou simplesmente para uma boa caminhada. Eu sempre gostei mais de montanha do que de praia mesmo!

Uma vez escrevi que já penso nos filhos. Não temos pressa, mas eu penso e me preparo aos poucos. Acho que reduzir o ritmo faz parte disso. Munique é mais tranquila e vim para um bairro tranquilo, longe do burburinho mas ainda perto o suficiente para ir até lá quando der vontade.

Estou caseira e analisando a vida. Estou adorando o emprego novo! Estou trabalhando alguns acontecimentos recentes desagradáveis, tanto na solução prática quanto no efeito que isso tem na minha vida. Estou cuidando da minha saúde. Estou crescendo.

É uma forma de adaptação diferente daquela que vivi quando vim para a Alemanha. Aliás, é diferente de tudo que já vivi na vida. Aquela foi forte, intensa, cheia de novidades. Esta tem algumas novidades, mas bem menos. É menos radical no seu lado evidente e visível. Mas é profunda internamente. Estou me adaptando a mim mesma, de certa forma, e às novas perspectivas que tenho diante de mim. Estou nessa encruzilhada onde me despeço de uma fase muito feliz em Berlim e seguindo um outro caminho na Baviera.

É mais do que virar uma página. É fechar um livro e começar e escrever o Volume Dois. E desta vez a dois.

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4 pensamentos sobre “Adaptação

  1. O nome disso é amadurecimento. Não é síndrome dos 30, graças a Deus. E que bom que essa nova fase começou, assim, completa: emprego, casa, marido e amigos e filhos também, porque não. Planejá-los já é tê-los de certa forma.
    Parabéns por suas conquistas, inclusive as diárias.
    Bjs!

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